Como voltar ao trabalho, sem culpa!

Queridas leitoras, nesse post a psicóloga Dery Leão traz para o blog um dos principais temas que afligem as mamães: a volta ao trabalho. Os primeiros meses com o nosso bebezinho são bastante intensos e exigem de nós muita dedicação e entrega, tanto física quanto emocional. Mas, de repente, nos vemos na situação de precisar voltar ao trabalho, o que pode nos deixar angustiadas e inseguras. Se você está vivendo esse conflito ou conhece alguém que está passando por isso, não deixe de ler esse texto! Com a palavra, Dery Leão:

Já sabemos que a maternidade nasce acompanhada de muitos conflitos, dúvidas e inseguranças, assim como de muitas realizações! Cada fase é recheada com vários elementos, por isso, gostaria de falar um pouquinho sobre a volta ao trabalho.

Quando a licença maternidade termina e temos que voltar à vida profissional acontece outro momento conflitante. Muitas mamães manifestam o desejo de ficar em casa para cuidar do bebê. Algumas têm condições financeiras e apoio do marido para fazer isso por um período da vida familiar, mas outras não podem abrir mão do trabalho para ficar em casa com o bebê.

Pensando nas mamães que não podem deixar o trabalho ou mesmo naquelas que escolhem voltar a trabalhar é que estou escrevendo este texto (podemos abordar futuramente as questões das mamães que permanecem em casa).

Geralmente, essas são as perguntas que acompanham essa fase: Com quem vou deixar o bebê? Com uma babá ou com algum familiar, como sogra, cunhada, sobrinha? Tem alguém na família com esta disponibilidade? Se não tiver alguém, em qual escolinha vou deixar meu filho? Será que vão cuidar bem dele? Estou abandonando meu filho? Estou sendo uma mãe ruim? Ao mesmo tempo em que queria ficar cuidando do meu bebê, sinto falta do meu ambiente de trabalho, de ver outras pessoas e conversar. Estou sendo uma mãe desnaturada? (risos)

Em primeiro lugar, é importante lembrar que, ao nos tornarmos mães, não deixamos de ter os outros papéis e lugares que já tínhamos. Esposa, amiga, profissional, esportista e outros. A maternidade passa a ser mais um papel, bastante importante e que ocupa grande parte de nossas vidas, porém cuidar dos outros aspectos nos realiza e nos ajuda a sermos mães inteiras e satisfeitas conosco mesmas. Consequentemente, teremos uma relação mais saudável com todos que nos cercam.

“… cuidar dos outros aspectos nos realiza e nos ajuda a sermos mães inteiras e satisfeitas conosco mesmas”

Ao pensarmos no lugar ideal para deixarmos nosso filhote para seguirmos tranquilamente ao trabalho, precisamos observar alguns aspectos. Vale dizer que não é prejudicial alguém que nos substitua por algumas horas, mas esse substituto precisa ser de alta qualidade afetivo-emocional.

Se for uma babá:

  • É imprescindível ter a indicação de conhecidos e investigar a vida profissional da mesma.
  • Saber qual é a sua formação e de onde veio para conhecermos sua cultura e seus valores.
  • Perceber se houve empatia entre você e ela e entre o bebê e ela é o principal ponto.
  • Saber se ela tem um requisito básico: se é carinhosa. Cuidado sem carinho é o mesmo que comer alimentos sem nenhum valor nutritivo.

Se for um berçário ou escolinha:

  • Observar os recursos físicos: estrutura, limpeza, tamanho dos ambientes, quantas crianças ficam em cada sala, quantos funcionários trabalham na escola e o que fazem.
  • Conhecer a rotina e ter acesso à escola, em qualquer horário, é um fator primordial, pois ajuda a construir uma relação de confiança entre a mãe e a escola. Às vezes as mães ficam constrangidas de pedir essa visitação, mas um bom profissional da área da educação entende essa necessidade e passa tranquilidade às mamães.
  • Observar como você é tratada ao entrar em contato com a escola. Desde um telefonema ou contato por e-mail, até o contato pessoal (recepção, funcionários, corpo docente). Como estas pessoas te tratam, ou seja, com educação, carinho, atenção, comprometimento e como eles se tratam entre si, pois é importante o clima do ambiente em que seu bebê permanecerá por várias horas.
  • Fazer um período de adaptação é importante para o bebê e para você. Este período pode durar cerca de 15 a 20 dias e ser programado antes da sua volta ao trabalho. Nestes dias, a permanência do bebê é de cerca de duas horas, aumentando paulatinamente. Nos primeiros dias você pode ficar com o bebê e ir diminuindo esse tempo, enquanto aumenta as horas do seu filho na escola. Esse processo deve ser combinado e apoiado pela pedagoga responsável, juntamente com a cuidadora que ficará com a criança.

Vale lembrar que esta é mais uma experiência de separação entre tantas outras que viveremos com os nossos filhos ao longo da vida. Ela é vivida como um nascimento, mais uma vez cortando uma camada do cordão umbilical.

Essa experiência pode ser angustiante e difícil para a mãe e o bebê, mas vai se tornando mais confortável à medida que percebemos a capacidade de vivermos a nova situação. Também ajuda se pudermos contar com a nossa rede social (amigos, parentes e outros) para nos acostumarmos com pequenos períodos de separação dos nossos filhos.

Outro aspecto importante é conversar com o bebê! À medida que as coisas vão acontecendo é fundamental contar para seu filho o que vai acontecer: explicar que a mamãe vai voltar a trabalhar; que ele vai ser cuidado por outras pessoas; apresentar essas pessoas e a escola; e dizer que a mamãe vai, mas volta.

Isso significa organizar a criança no espaço e no tempo. Você pode me perguntar: Mas ele vai me ouvir? Vai entender? O bebê não tem a mesma compreensão que a nossa, mas ele compreende por meio do nosso olhar, tom de voz, expressões e toques. É como na hora do banho, pois quando brincamos e contamos para ele o que é o pezinho, a mãozinha, a boquinha, estamos apresentando para o bebê quem é ele e o mundo também.

Um abraço carinhoso e até a próxima!

Foto: Arquivo PessoalDery Leão é psicóloga, especialista em Terapia de Casal, Família e Indivíduo, de São Paulo (SP). Mãe da Brenda, de 20 anos, ela adora o desafio da maternidade, pelo fato da necessidade de se transformar como mãe à medida que sua filha se transforma também. “É uma experiência fantástica e instigante ! A gente cresce à medida que os filhos crescem…”, afirma.

Também perguntamos a ela o que mais gosta da maternidade, vejam que linda a sua resposta: “É a oportunidade que tenho de me rever como filha, ponderando os papéis de mãe e filha, ou seja, através da maternidade consigo ser um ser humano melhor.”

Nas suas horas vagas, Dery gosta muito de cozinhar e de receber amigos, além de  ler um bom livro, assistir filmes, ir ao teatro, cinema e a shows. E agora ela também dedica uma pouco de seu tempo para escrever às leitoras do Mamãe Prática.

Mamães, gostaram do tema? Fiquem à vontade para enviar as suas perguntas e dúvidas para a especialista, para o e-mail: dery.leao@gmail.com

Foto: Mimo Fotos

 

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