Posts + lidos: Socorro, meu peito virou chupeta

Quando cuidamos de um recém-nascido, na maioria das vezes, é muito fácil fazê-lo dormir, pois nesta fase os bebês dormem, em média, entre 16 e 18 horas por dia. A minha filha era tão soneca que tínhamos que trocar a fralda para ela acordar e mamar, de duas em duas horas, conforme a orientação da pediatra.

Mas com o passar do tempo os bebês dormem menos e mudam seu comportamento. De acordo com o livro O primeiro ano do seu bebê mês a mês – O que esperar e como cuidar do seu bebê (CMS Editora), no final do sexto mês, eles podem cochilar apenas duas vezes por dia, dormindo um total de 14 horas por dia. Já ao completar o seu primeiro aniversário a criança pode tirar apenas um cochilo diurno, o que irá consolidar o sono à noite. Segundo a publicação, aos 12 meses, a maioria dos bebês acorda à noite, mas volta a dormir sem qualquer ajuda. Infelizmente, este ainda não é o meu caso.

Confesso que ser mãe também é errar, já que acredito que não nascemos prontas para tal tarefa. Eu li muito sobre essa questão do sono, mas ainda não consegui resolvê-la aqui em casa. A Manuela, que está com 1 aninho, só cai no sono após mamar e fazer meu peito de chupeta. E adivinha o que ela solicita de madrugada para voltar a dormir?

Entrei em contato com a psicóloga e psicanalista Clarice Wichinescki Zotti para saber como os pais podem lidar com esse problema. Segundo ela, uma vez tomada a decisão de mudar, deve-se permanecer firme nessa tentativa, pois caso contrário a criança pode ficar confusa sobre o que se espera dela.

Clarice também é mãe de quatro filhos e corresponsável pelo Curso de Psicanálise de Crianças da Associação Psicanalítica de Curitiba (PR). Na entrevista a seguir, a psicóloga conta aos leitores do Mamãe Prática como os pais podem tentar mudar esse hábito.

Quando o bebê adormece somente com o bico do seio da mãe na boca, o que os pais podem fazer para mudar esse hábito?
Em primeiro lugar, a mãe precisa se convencer de que isso é um hábito, portanto, não é uma necessidade da qual o bebê não possa ficar sem. Pode ter acontecido nessa relação mãe-bebê uma espécie de acomodação, um acordo tácito (e inconsciente) entre os dois, que permitiu que esse arranjo se mantivesse assim até agora. Isso logicamente tem a ver com a forma de funcionamento psíquico da mãe e com a forma como ela conseguiu se virar frente à demanda e/ou choro do bebê.

Cada mulher, ao se deparar com seu bebê, vai ter que, necessariamente, aprender a ser mãe, terá que se haver com esse novo papel, inédito em sua vida, e se deparar com todos os aspectos e dificuldades pessoais que essa função lhe exigirá. E para isso lançará mão de seu saber sobre como ser mãe, bem como dos conselhos familiares, do que observou com suas amigas, do que o pediatra lhe diz para fazer, enfim, aos poucos ela vai se experimentando neste lugar de importância na formação de um novo ser totalmente dependente dela. Cada uma será uma mãe diferente, e lidará com o seu bebê de forma diferente, de acordo com seus próprios recursos psíquicos e sua condição emocional nesse novo papel.

No caso do seio ser usado como chupeta, se por um tempo isso até funcionou, ótimo. O problema é que não dá pra ficar assim pra sempre, então, a mãe começa a ficar preocupada com esse “arranjo inicial” e busca uma forma de resolver essa situação.

Então, como resolver essa situação?
O primeiro passo é a mãe ficar tranquila e para isso precisa estar convencida de que esse é um ato benéfico para o bebê e para a subjetividade dele. Muitas mães ficam muito angustiadas diante do choro e voltam atrás na sua decisão de mudar esse hábito de fazer do bico do seio a chupeta. Uma vez tomada a decisão, a mãe deve permanecer firme nela, para não confundir a criança sobre o que se espera dela. Mais fácil é, nessa situação, oferecer a chupeta mesmo. E se ela realmente não quiser, depois de inúmeras e carinhosas tentativas, mesmo assim, é melhor ser firme e só dar o seio quando for hora de mamar mesmo. O bebê irá resistir num primeiro momento, e num segundo…, mas com muito calma e com muitas palavras para ele, dizendo que não há mais necessidade disso, que está na hora de ele conhecer novas formas de se acalmar e novos objetos para brincar, aos poucos ele irá se acomodando numa nova forma de relação com a alimentação e com a mãe.

“Normalmente, se as mães estão confortáveis e confiantes de que isso é bom para o seu bebê, tudo se dá de uma maneira mais tranquila”

As crianças normalmente são muito curiosas e adoram novas experiências. É o que se observa no processo do desmame, por exemplo, quando se vai, paulatinamente, substituindo o leite materno por papinhas, sopinhas, etc. As mamadas no seio vão diminuindo aos poucos, com a inclusão de comidas sólidas e frutas, até que o peito não seja mais necessário ao bebê. Normalmente, se as mães estão confortáveis e confiantes de que isso é bom para o seu bebê, tudo se dá de uma maneira mais tranquila.

Mas quando a chupeta não agrada a criança, o que fazer?
Alguns bebês vão aceitar a chupeta; outros, não. O importante é que se busquem outras formas de acalmar o bebê, que não seja só o bico do seio. Não deixa de ser uma experiência de separação que, embora um pouco dolorida tanto para a mãe como para o bebê, é necessária e faz parte do processo de crescimento e desenvolvimento. O bebê precisa desses cortes pontuais, pois eles são constituintes de sua subjetividade. É o que vai permitir que o bebê passe de uma fase de desenvolvimento para outra, subsequente. E se a mãe não permitir, ou não ajudar o bebê nisso, mesmo que inconscientemente, ele não poderá advir como um sujeito (com desejo e escolhas próprias), ficando num lugar de objeto da mãe, lugar esse prejudicial ao futuro desenvolvimento subjetivo do bebê.

Nesses momentos de mudança e de separação, a criança costuma se beneficiar de alguns objetos que chamamos de transicionais. São objetos que servem de ponte entre a mãe e o bebê (como bichinho de pelúcia, paninho ou chupeta), apaziguando a angústia e a sensação de desamparo. Esses objetos representam a presença da mãe na ausência da mesma, tranquilizando-os; portanto, são benéficos nesse especial período de desenvolvimento.

“Se a mãe se mantiver firme na sua decisão, e tranquila diante do choro, isso lhe passará confiança e o bebê vai aceitar e se acalmar”

Se ao tirar o seio o bebê chorar muito (muito alto mesmo), o que fazer?
As mães e os pais devem estar preparados para uma possível rebeldia do bebê em relação a isso, pois ele não reage bem a mudanças em sua rotina, e se a mãe se mantiver firme na sua decisão, e tranquila diante do choro, isso lhe passará confiança e o bebê vai aceitar e se acalmar. O bebê muito cedo percebe que o choro é um poderoso chamariz para a mãe e, ao mesmo tempo, esse choro é um tranquilizante para ele nos momentos de dificuldade ou frustração. É sua forma de lidar com as situações. Portanto, chorar não é tão ruim como parece, tem sua função na economia psíquica do bebê. Mas no que ele perceba que continua recebendo o carinho e a atenção da mãe, só que de outra forma, o bebê se acalmará e se adaptará ao que lhe é demandado. Afinal, o importante ali pra ele não é necessariamente o leite, mas o afeto e atenção da mãe.

O pai poderá ajudar nesse momento de grande angústia, auxiliando a mãe, oferecendo outras coisas interessantes para o bebê, saindo pra passear com ele, oferecendo algum brinquedo interessante, enfim, cada casal usará de sua inventividade nessa hora. Educar um filho é um ato criativo e sem manuais, pois cada relação pais-bebê é única. As mães normalmente têm um saber próprio sobre o seu filho e aprendem a conhecê-lo muito bem. E saberão como lidar com ele e com o seu choro nesses momentos de dificuldade. Quando esse processo for de muita angústia para a mãe, para o pai e/ou para o bebê, faz-se necessário a ajuda de um profissional, que, estando de fora dessa relação familiar, pode identificar onde esse processo está truncado e o que essa situação angustiante pode estar representando na economia psíquica familiar.

“Educar um filho é um ato criativo e sem manuais, pois cada relação pais-bebê é única”

Beijos da Mamãe Prática Mari, que vai tentar colocar em prática as dicas da psicóloga.

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4 ideias sobre “Posts + lidos: Socorro, meu peito virou chupeta”

  1. Boa tarde!
    Minha filha tem apenas 1 mês e esta fazendo meu peito de chupeta.
    Quando eu tiro ela do peito para arrotar ela acorda e começa a chorar.
    Vc têm indicação de algum profissional em Brasília para me ajudar ?

    1. oi Rafaela, sabemos como esse é um momento delicado. Sua bebê ainda é bem novinha e vocês ainda estão aprendendo e se conhecendo. Em Brasília tem um grupo de apoio à gestantes e mães chamado Ishtar. Vale dar uma olhada no site http://ishtarbrasilia.blogspot.com.br/ (veja os contatos do lado direito). Espero que ajude, boa sorte! Beijos, Fabi

  2. Olá! Amei a materia! Procurei muito algum site que me ajudasse nesse problema, mas só encontrei aqui! Minha bebe se chama Méllani, ela tem 7 meses! Até o 4º mês era tudo uma maravilha, dormia mamando, eu colocava a chupeta e era a noooite toda! até sozinha ela dormia deitadinha no berço.. Porém eu amo dormir abraçadinha com ela e eu acordava inumeras vezes com medo de ela sufocar, ou algo do tipo (ps. o berço é no meu quarto) e então ela passou do berço, pra cama.. Até ai tudo bem.. até ela ficar gripadinha e precisar tomar remedios e vitaminas de colher/seringa.. bye bye bubu! Ela rejeitou o bico então durante a noite ela começou a procurar meu peito, quando mama, adormece.. só de encostar o bubu na boca ela chora alto, fica agitada.. berço nem pensar! vou testar essa forma espero que dê certo! Ela era tão independente e moldei ela pro oposto..

    1. Olá Tainã,

      Que bom que você gostou do nosso post! Fico muito feliz em te ajudar! A boa notícia é que ela já sabia adormecer de outra forma. Então, você precisa ensiná-la a adormecer novamente de outra forma, que não seja mamando no peito. Ela ainda é bem novinha e vale sim insistir pelo aleitamento materno, que é super importante.

      Outros posts interessantes para você:
      “Quando o bebê só dorme no peito: entenda o que fazer” (a visão da orientadora em cuidados com recém-nascidos e parent coach Mariana Zanotto Alves)
      “O sono dos bebês nos primeiros meses”
      “Como ensinar o bebê a dormir sozinho” (a experiência da Mamãe Prática Fabi)

      Por favor, depois nos conte como foi. Nosso e-mail: contato@mamaepratica.com.br

      Beijos, da Mamãe Prática Mari

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