8 perguntas-chave sobre hipertireoidismo na gravidez

Olá meninas, já falei algumas vezes aqui no blog sobre as doenças da tireoide, especialmente o hipotireoidismo e o hipertireoidismo, que merecem uma atenção especial na gestação, pois quando não tratadas corretamente podem ser prejudiciais para a gestante e o bebê. Eu mesma tenho hipotireoidismo desde criança e durante a minha gravidez tive que fazer um acompanhamento de perto com endocrinologista para ajustar as doses do medicamento ao longo da gestação e, assim, controlar as taxas hormonais.

Este post é para aprofundar um pouco mais o tema do hipertireoidismo na gestação (quando ocorre a produção excessiva dos hormônios da tireoide, chamados T3 e T4). Para isso, contei com a super ajuda da médica endocrinologista Maria Fernanda Barca, doutora em Endocrinologia pela Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), membro da The Endocrine Society (EUA) e membro da European Thyroid Association. Veja a entrevista:

Como o médico faz o diagnóstico?
Dra. Maria Fernanda Barca:
O diagnóstico do hipertireoidismo é feito pela dosagem do TSH (Hormônio Tiroestimulante) baixo ou suprimido (abaixo do valor de referência) que é, em geral, acompanhado pelo aumento do T4L (Tiroxina T4 Livre) e anticorpos antitireoideos. A ultrassonografia da tireoide também pode mostrar a glândula aumentada de tamanho.

Qual a causa da doença?
Dra. Maria Fernanda:
Em geral, percebemos um aumento das doenças autoimunes na população e isto também vale para a Doença de Graves que é a forma mais comum de hipertireoidismo e está associada, principalmente, ao estresse e ao fumo (a nicotina do cigarro pode prejudicar o funcionamento da tireoide). A presença de alguns tipos de nódulos na tireoide também pode ocasionar o hipertireoidismo e o histórico familiar de disfunções da tireoide predispõe o desenvolvimento da doença.

O hipertireoidismo causa infertilidade?
Dra. Maria Fernanda:
Quando não tratada, a doença pode impedir a ovulação e fazer com que a paciente tenha dificuldade para engravidar. Geralmente, com a normalização da função tireoidiana a mulher não terá problemas para engravidar.

Quais são os sintomas da doença?
Dra. Maria Fernanda:
Os principais sintomas do hipertireoidismo são sensação de calor excessivo e desconforto, palpitações, fraqueza, nervosismo e dificuldade para dormir.

Como é feito o tratamento?
Dra. Maria Fernanda:
O tratamento é realizado com bloqueadores da tireoide, em baixa dose, associados ao selênio. O ideal é que o tratamento do hipertireoidismo comece antes da mulher engravidar. Entretanto, se isto não for possível, a gestante deverá usar o mínimo de drogas antitireodianas possível, devido à passagem placentária das mesmas. Se a mulher tem o hipertireoidismo causado pela Doença de Graves antes da gestação e faz tratamento com metimazol, este deverá ser substituído no 1º trimestre da gestação por outra substância (propiltiuracil) para evitar malformações no bebê. A partir do 2º trimestre o tratamento deve ser substituído por tapazol para se evitar a toxicidade ao fígado. Se os sintomas de hipertireoidismo persistirem (como taquicardia, tremores, sudorese, insônia) pode-se utilizar um betabloqueador como propranolol. Por isso, é muito importante fazer o acompanhamento com um médico endocrinologista.

Quais são os riscos da doença durante a gestação?
Dra. Maria Fernanda:
Os principais riscos do hipertireoidismo são pré-eclâmpsia (hipertensão) e problemas cardíacos na gestante, além de abortamentos mais frequentes, parto prematuro e baixo peso do bebê ao nascer.

A mulher gestante (ou tentante) precisa estar atenta a outras orientações?
Dra. Maria Fernanda:
Sim. Se você tomou iodo radioativo para tratar hipertireoidismo ou câncer de tireoide faça o acompanhamento com seu endocrinologista e espere o tempo aconselhado pelo médico de medicina nuclear para engravidar, pois a tireoide do bebê poderá ser afetada. Não engravide antes de ser liberada pelo seu médico. Outro ponto é que se você tem uma disfunção autoimune da tireoide, o uso de selênio também pode ajudar a controlar a doença e evitar recidivas no pós-parto. Também é importante medir mensalmente os seus hormônios.

O hipertireoidismo na gestação pode ocasionar problemas mentais no bebê?
Dra. Maria Fernanda:
Não existem evidências de que o hipertireoidismo materno afete o desenvolvimento mental dos bebês. Já no caso do hipotireoidismo sim, pois existe uma série de estudos que apontam que filhos de mães hipotireoidianas podem ter problemas cognitivos e até redução de Q.I. (quociente de inteligência).

Queridas leitoras, espero que essas informações tenham te ajudado a entender melhor sobre ao hipertireoidismo. Aqui no blog tem outros posts sobre as doenças da tireoide. Veja só: Hipotireoidismo na gravidez: e agora?, Hipotireoidismo: cuidados na gestação e Tudo o que você precisa saber sobre hipotireoidismo na gravidez.

Beijos, da Mamãe Prática Fabi

Fontes: Dra. Maria Fernanda Barca e site SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia)

Foto: freeimages/ Jose Torres

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