Foto de grávida (barriga)

Microcefalia: respondendo novas dúvidas

Olá meninas,

A relação entre o Zika vírus e o surto de microcefalia na região Nordeste foi confirmada pelo Ministério da Saúde no dia 28 de novembro. Após divulgarmos um post procurando esclarecer as dúvidas de nossas leitoras, novos questionamentos surgiram. Por isso, contatamos a médica Nancy Bellei, presidente do Comitê de Virologia Clínica da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). Ela responde, a seguir, as dúvidas de nossas leitoras:

“Eu tenho 8 meses [de gravidez] já. Se eu contrair a doença meu filho será afetado?”/“Já estou com seis meses. Se eu contrair a doença meu bebê pode ser afetado?”

Aparentemente, no primeiro trimestre da gravidez, há um risco muito elevado de o bebê vir a apresentar microcefalia, pois a maioria dos casos [detectados] é no primeiro trimestre.

No segundo trimestre, ainda não temos certeza total se o bebê terá ou não microcefalia. Assim, ainda não está completamente afastada a possibilidade de microcefalia também no segundo trimestre da gestação.

No terceiro trimestre não é provável haver microcefalia, mas não se pode garantir que não haverá uma discreta lesão que possa passar despercebida.

“Eu tive o Zika no oitavo mês, minha bebê nasceu graças a Deus bem, mas tenho medo. Será que minha bebê ainda corre o risco de ter algo ainda?”

A medicina não consegue responder isso agora. Mesmo que o ultrassom na gravidez tenha sido normal e se ao nascer a criança aparentemente é saudável (respondeu bem aos exames clínicos que geralmente são feitos na maternidade), a gente não conhece essa doença. Isso só o futuro poderá esclarecer essa questão.

Se pode ter tido algum problema que depois só vai aparecer na idade escolar ou não, a medicina não sabe dizer ainda. Se a criança está completamente saudável ainda não é possível responder.

“Quem já teve Zika corre o risco de ter novamente?”
Acreditamos que não. Se a pessoa teve uma vez não vai ter de novo, pois no caso dos Flavivírius (gênero do qual o Zika vírus faz parte), a pessoa se infecta uma vez e desenvolve anticorpos permanentes.

“Se o bebê for picado após o nascimento corre algum risco?”

Até onde a medicina sabe, o bebê vai ter um quadro clínico de uma virose com mancha na pele, ou seja, a febre do Zika vírus.

“Eu tive Zyka. Gostaria de engravidar, corro risco de ter bebê com microcefalia?”

Se já curou não tem problema. Mas é preciso ver se você teve Zika vírus mesmo, porque não tínhamos teste para verificar. Espere os próximos meses e tente confirmar se você teve mesmo, pois em breve haverá um teste (exame de sangue) para verificar a infecção por Zika vírus. A previsão é que o teste esteja disponível dentro de semanas ou meses. Entretanto, a rede publica não estabeleceu ainda quais são os critérios para que se faça esse exame quando ele estiver disponível e também ainda não se sabe em quais locais e regiões do Brasil o teste estará disponível.

Transmissão sexual

A presidente do Comitê de Virologia Clínica da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) ainda alerta que o Zika vírus é um vírus de transmissão sexual, o que é comprovado em estudo científico. “Se o marido viajar para uma região de maior risco e então apresentar febre e mancha na pele, é preciso verificar se ele está com o Zika vírus e fazer abstinência sexual até conseguir se verificar. Ele pode ter um quadro de febre e eventualmente transmitir o vírus para a mulher”, exemplifica.

É importante notar que esta não é a posição oficial do Ministério da Saúde, conforme orientações divulgadas no Protocolo de Atenção à Saúde e Resposta à Ocorrência de Microcefalia Relacionada à infecção pelo Vírus Zika, Segundo o Ministério da Saúde: “Vale ressaltar que a identificação do vírus Zika na urina, leite materno, saliva e sêmen pode ter efeito prático apenas no diagnóstico da doença, não se demonstrando que essas vias sejam importantes para a transmissão do vírus para outra pessoa. Estudos realizados na Polinésia Francesa não identificaram a replicação do vírus em amostras do leite, indicando a presença de fragmentos do vírus que não seriam capazes de produzir doença”.

Para a médica, o caminho para combater o Zika vírus também está na criação de uma vacina, mas isto só deverá ser possível a longo prazo. “É muito um trabalho de laboratório, não tem como a gente prever quando ficaria pronta. Mas nem para esse ano nem para o ano que vem deve ter vacina. Agora é muito mais um trabalho de prevenção contra o mosquito”, analisa.

Meninas, esperamos que as informações da médica Nancy Bellei possam ter esclarecido as dúvidas de vocês.

Beijos, da Mamãe Prática Mari

Foto: Sueli Zischler Photography (foto meramente ilustrativa)

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4 ideias sobre “Microcefalia: respondendo novas dúvidas”

    1. Olá Daniela, esta é a seguinte posição oficial do Ministério da Saúde:

      “A identificação do vírus Zika na urina, leite materno, saliva e sêmen pode ter efeito prático apenas no diagnóstico da doença, não se demonstrando que essas vias sejam importantes para a transmissão do vírus para outra pessoa. Estudos realizados na Polinésia Francesa não identificaram a replicação do vírus em amostras do leite, indicando a presença de fragmentos do vírus que não seriam capazes de produzir doença.”

      Você pode acessar AQUI o Protocolo de Atenção à Saúde e Resposta à Ocorrência de Microcefalia Relacionada à infecção pelo Vírus Zika, que traz a orientação na íntegra (tópico 5.1.2. Aleitamento Materno).

      Abs

      Mamãe Prática Mari

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