Os primeiros (e difíceis) dias de amamentação

Mamães e papais leitores desse blog, vou dizer uma coisa para vocês: amamentar é lindo, aproxima a mãe do bebê e cria um vínculo tão forte com o rebento que chega a dar inveja em muitos papais. Mas olhar para esse lado é ver apenas um aspecto romântico de toda a situação. Claro que existem milhares de mães super sortudas (eu conheço algumas) cujos bebês parecem que já nasceram mamando. Elas não tiveram nenhum trabalho e nem sofreram as dores da amamentação.

Sou 100% a favor do neném mamar no peito. Segundo o Ministério da Saúde, o leite materno tem tudo o que o bebê precisa até os seis meses, inclusive água, e é de mais fácil digestão do que qualquer outro leite, porque foi feito para o bebê. Além disso, funciona como uma verdadeira vacina, protegendo a criança de muitas doenças.

Entretanto, não posso deixar de preparar as futuras mamães para o que pode vir a ocorrer e, também, solidarizar-me com as mulheres que já passaram por experiências parecidas com a minha. Não quero fazer disso um drama, não! Mas é preciso alertar e preparar as gestantes sobre esses primeiros dias após o nascimento do bebê, até para que não desistam de amamentar. Conheço várias mães de primeira viagem que, desesperadas, logo partiram para o leite de fórmula – seja porque disseram para elas que não tinham leite, seja porque o problema, ao contrário, era ter muito leite. Acredite, isto também pode ser um problema. Outro alerta é tomar MUITO cuidado na hora de buscar ajuda, pois “o tiro pode sair pela culatra” …

Esse foi o meu caso. Durante os primeiros dias no hospital, minha bebê parecia fazer os movimentos de sucção e fui no berçário buscar orientação para me certificar de que estava tudo nos conformes. “Sim, mamãe, está certo, é assim mesmo, o leite demora alguns dias a descer”. “A pega está certa?”. “Sim, é isso mesmo”. Felizes da vida, fomos para casa na expectativa do leite descer. O problema é que na primeira noite o leite desceu, mas veio com tudo. Percebi na hora que algo estava errado. Enquanto minha mãe e minha irmã já me chamavam de “Cicciolina”, a pulga atrás da orelha questionava se aquilo poderia estar certo. Logo veio a resposta: a fofurinha não conseguia mamar, pois as mamas estavam muito ingurgitadas. Na expressão popular, o leite empedrou.

“Ingurgitada”, que palavrinha mais estranha. Mas estranho mesmo foi o atendimento que eu tive na maternidade quando voltei para buscar ajuda. É aí que eu quero fazer um alerta. Mães e pais, se disserem na maternidade que o único jeito de “desempedrar” é fazer massagem, fujam! O melhor é procurar consultoras em amamentação ou programas de amamentação que partem para outro caminho, como esvaziar um pouco a mama (e só a própria mãe deve fazer isso, pois é ela que sabe o limite da sua dor) e então deixar que o filho termine o serviço. Imagine uma pessoa amassando, apertando e contorcendo seu seio. A dor era tanta que me deram uma injeção para dor, pois disseram que eu era sensível demais. Mas nem isso ajudou a suportar aquela “massagem”. É aí que muitas mães desistem de amamentar.

Felizmente, encontrei depois  o Proama – Programa de Aleitamento Materno, em Curitiba (PR), que conduziu a situação de um jeito bem diferente e mais humano. Acontece que, na realidade, minha bebê não estava mamando direito, a pega estava errada. Isso era não só ruim para ela, que poderia não ganhar peso, mas para mim, já que não conseguia esvaziar as mamas. Depois de duas semanas sendo atendida pela brilhante e paciente consultora do Proama – simplesmente precisávamos ensinar a bebê a mamar – estávamos mãe e bebê em perfeita sintonia. Ufa!

A lição que eu tirei disso tudo: a primeira coisa que eu tive que ensinar a minha filha foi, simplesmente, como se deve mamar.  Essa foi a primeira aprendizagem que eu proporcionei a ela, logo nos primeiros dias de vida.

Leia também “Como ter sucesso na amamentação”.

Beijos da Mamãe Prática Mari, hoje muito feliz com a amamentação.

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