Os principais mitos da amamentação

Amiga, enquanto estiver grávida, você vai ouvir muita coisa sobre amamentação. Assim que der a luz, então, logo irá “chover” um monte de pitacos sobre o assunto, principalmente se você está fazendo do jeito certo ou não. Além disso, sempre aparece aquela figura que te assusta e diz: “ah, minha filha, o seu leite é fraco … é melhor dar leite de fórmula na mamadeira” ou “Dói muito amamentar, eu chorava de dor”. Isso aconteceu comigo e, acredite, acontece com a maioria das mamães. Não que as intenções sejam ruins, afinal, as vovós e vizinhas só querem ajudar, não é mesmo?

Por trás de todo o falatório também estão as crenças populares e experiências (muitas vezes negativas) de outras mães. Mas se não deu certo para alguém não significa que não vai dar certo para você! É por isso que as mulheres precisam se preparar para a lactação e, sobretudo, buscar ajuda de quem realmente entende e trabalha auxiliando mamães no processo inicial da amamentação. Lembre-se: se sentir segura e tranquila é meio caminho para o sucesso da amamentação.

Pedi para a nutricionista Rosane Baldissera, consultora em amamentação de Porto Alegre (RS), esclarecer alguns mitos da amamentação. Veja na entrevista quais são eles e, afinal, o que é mito e o que é verdade. Boa leitura e “bom mamá” para seus pimpolhos.

Quais são os mitos da amamentação?

  • Preparar os seios na gestação;
  • Existe leite materno fraco;
  • Manter horários rígidos para a amamentação;
  • Beber muita água (em excesso) para ter mais leite;
  • Seios pequenos produzem pouco leite;
  • Amamentar com dor é normal;
  • Bombear o leite materno para ver quanto leite produz;
  • O bebê que mama várias vezes ao dia está com fome e precisa de complemento;
  • Mulheres com mamilos planos ou invertidos não podem amamentar.

Quando há algum problema na amamentação, muitas pessoas dizem: “seu leite é fraco” ou “você não tem leite”. O que essas afirmações podem provocar? E quais as consequências psicológicas para as mães?
Essas afirmações geram insegurança para a nutriz e falta de confiança em nutrir seu bebê. Quando a mamãe se sente assim, sua produção de leite tende a diminuir.

Portanto, não existe “leite fraco”?
Não existe leite fraco. Para o sucesso da amamentação, é importante que a mulher e sua família entendam o comportamento habitual de um recém-nascido e tenham expectativas realistas com relação ao aleitamento materno. Muitas mães, em especial as inseguras e com baixa autoestima, costumam interpretar mamadas frequentes, que faz parte do comportamento habitual dos recém-nascidos, como sinal de fome do bebê e/ou leite fraco ou insuficiente, culminando, com frequência, na introdução de suplementos.

No início, qual pode ser a frequência das mamadas?
Embora a frequência e duração das mamadas variem, em geral as crianças mamam oito a 12 vezes em 24 horas, com algumas crianças mamando de hora em hora e depois dormindo mais prolongadamente, e outras mamando a cada duas a três horas, dia e noite. Cada mamada dura, em média, cerca de 15 a 20 minutos em cada mama, mas algumas crianças vão precisar de mais tempo e outras satisfazem-se com apenas uma mama. É importante que as mães saibam reconhecer e atender a criança aos primeiros sinais de que a criança quer mamar, tais como movimentos e sons de sucção, mão na boca, movimentos rápidos dos olhos, arrulhos suaves e sons de suspiro, além de inquietação. O choro é um sinal tardio de desejo de ser amamentado e pode interferir no sucesso do aleitamento materno.

“O choro é um sinal tardio de desejo de ser amamentado e pode interferir no sucesso do aleitamento materno”

É comum mães deixarem de amamentar por acreditarem que não produzem leite. O que uma mãe precisa fazer nesse caso?
Bastaria apenas que a mamãe fosse orientada e acompanhada desde o início por um profissional experiente e especializado em aleitamento materno. Muitas mamães que deixam de amamentar por este motivo foram mal orientadas pelos profissionais que as assistiram. Para ter bastante leite, basta a nutriz amamentar corretamente seu bebê, ou seja, posição adequada da nutriz e do bebê, boa pega do bebê, e estar descansada, despreocupada e tranquila em relação à amamentação.

“Se eu der mamadeira, o bebê irá largar o peito”. Isso é verdade?
A mamadeira ou a chupeta atrapalham bastante a amamentação, e isto já é comprovado cientificamente, devido à confusão de bicos. O bebê precisa aprender a mamar ao seio e isso demora em torno de quatro semanas. Se neste período o bebê usar chupeta ou mamadeira, pode vir a ser desmamado. No seio, o bebê precisa usar a língua corretamente para extrair o leite e não utilizar as gengivas, ou seja, o bebê não pode morder o seio para retirar o leite. Na mamadeira ou chupeta, o bebê utiliza a mordida (gengivas) para retirar o leite, e não utiliza a língua. Aos poucos, o bebê vai largando o seio, e preferindo a mamadeira.

Amamentar é muito doloroso?
Não, amamentar não deve ser doloroso. Se a mamãe está com dor para amamentar, o maior motivo se deve à pega ou à posição da mãe ou do bebê incorretas. Além disso, pode haver alguma disfunção oral do bebê, que deve ser corrigida. Alguns bebês nascem com o freio lingual curto (língua presa), que também pode ocasionar muita dor para amamentar. Por isso, é importante a ajuda de um profissional especializado em aleitamento materno.

 “O bebê precisa aprender a mamar ao seio e isso demora em torno de quatro semanas. Se neste período o bebê usar chupeta ou mamadeira, pode vir a ser desmamado”

Beijos da Mamãe Prática Mari

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