Perguntas-chave sobre amamentação

Em entrevista ao blog Mamãe Prática, a nutricionista Rosane Baldissera, consultora em amamentação de Porto Alegre (RS), aborda temas como os benefícios do leite materno, até quando é recomendável amamentar e como realizar o processo de desmame. Para ela, a amamentação precisa ser prazerosa para a mãe e para o bebê. A seguir, ela fala em detalhes sobre todos esses assuntos.

Em geral, quais os principais benefícios da amamentação?

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Rosane Baldissera: “O bebê amamentado no seio materno recebe amor, carinho e segurança, fortalecendo o vínculo mãe/bebê”

Os benefícios são vários, tanto para a mamãe quanto para o bebê. A mamãe que amamenta tem sua confiança estimulada por proporcionar ao filho o melhor alimento, amor e saúde; é beneficiada com o retorno rápido do útero ao tamanho normal e com a diminuição do sangramento; retorna ao peso normal mais rápido, pois a amamentação aumenta o gasto energético da mamãe; tem menor possibilidade de ter câncer de mama; utiliza um método prático, pois o leito materno está sempre pronto e na temperatura ideal. Além disso, a amamentação reduz o risco de depressão pós-parto.

O bebê amamentado no seio materno recebe amor, carinho e segurança, fortalecendo o vínculo mãe/bebê; recebe a primeira e mais importante vacina da vida, pois o leite dos primeiros dias (chamado de colostro) começa em pouca quantidade, mas é suficiente para saciar o bebê e fornecer imunidade contra inúmeras doenças; recebe alimento de fácil e rápida digestão (é por isso que o bebê quer mamar muitas vezes durante o dia); desenvolve a correta respiração, fortalecendo os pulmões; desenvolve o correto posicionamento dos dentes, a fala, o intelecto e a integração social.

“A amamentação reduz o risco de depressão pós-parto”

Recomenda-se que a amamentação seja exclusiva até o bebê completar seis meses?

A Organização Mundial da Saúde (OMS), endossada pelo Ministério da Saúde do Brasil, recomenda o aleitamento materno por dois anos ou mais, sendo de forma exclusiva nos primeiros seis meses. Não há benefício em iniciar os alimentos complementares antes dos seis meses podendo, inclusive, haver prejuízos à saúde da criança, como maior número de episódios de diarreia e doença respiratória, além de desenvolvimento de obesidade. Por outro lado, após os seis meses de idade, o leite materno como única fonte de alimento pode não ser suficiente para preencher as necessidades nutricionais da criança, sobretudo de energia, proteína, ferro, zinco e algumas vitaminas lipossolúveis.

Como deve ser a amamentação depois dos seis meses?

Depois dos seis meses, a mamãe deve manter o aleitamento materno sempre que o bebê solicitar e deve fazer a introdução gradual dos alimentos complementares, seguindo as orientações de um pediatra ou nutricionista atualizados conforme as orientações mais recentes do Ministério da Saúde (Dez Passos para uma Alimentação Saudável – Guia Alimentar para Crianças Menores de Dois Anos). Conforme o bebê vai aceitando a alimentação sólida, ele vai mamando menos, chegando a mamar em torno de três a quatro vezes ao dia.

Até quando é recomendável amamentar? Existe um limite de idade?

Segundo diversas teorias baseadas em informações de primatas não humanos, principalmente gorilas e chimpanzés, que têm 98% da sua carga genética idêntica à do homem, o período natural de amamentação para a espécie humana seria de 2,5 a 7 anos. Inúmeras informações coletadas em sociedades primitivas modernas, referências em textos antigos e evidências bioquímicas de sociedades pré-históricas sugerem que a duração da amamentação na espécie humana seria, em média, de 2 a 3 anos, idade em que costuma ocorrer, de forma natural, o desmame.

Se a criança demonstrar querer mamar, mas já estiver com 2 anos ou mais, o que fazer?A amamentação deve ser prazerosa para a mamãe e para o bebê. Se para uma das partes não acontecer isso, deve-se iniciar o desmame gradual, planejado, a fim de não causar trauma para a dupla. Ao contrário, se estiver tudo bem com a amamentação, a mamãe deve mantê-la até que a criança comece a demonstrar desinteresse.

“A amamentação deve ser prazerosa para a mamãe e para o bebê”

Como ensinar a criança que agora ela não vai mais mamar? Esta mudança pode ser traumática para a criança?

O desmame abrupto é desencorajado, pois se a criança não está pronta, ela pode se sentir rejeitada pela mãe, gerando insegurança e muitas vezes rebeldia. Na mãe, o desmame abrupto pode precipitar ingurgitamento mamário, bloqueio de ducto lactífero e mastite, além de tristeza ou depressão, por luto pela perda da amamentação ou por mudanças hormonais.

Muitas vezes, a mulher se depara com a situação de querer ou ter que desmamar antes de a criança estar pronta. Nestes casos, o profissional de saúde, em especial o pediatra, deve respeitar o desejo da mãe e ajudá-la nesse processo.

A técnica utilizada para fazer a criança desmamar varia de acordo com a idade da mesma. Se a criança for maior, o desmame pode ser planejado com ela. Pode-se propor uma data, oferecer uma recompensa e até mesmo uma festa. A mãe pode começar não oferecendo o seio, mas também não recusando. Pode também encurtar as mamadas e adiá-las. Mamadas podem ser suprimidas distraindo a criança com brincadeiras, chamando amiguinhos, entretendo a criança com algo que lhe prenda a atenção. A participação do pai no processo, sempre que possível, é importante. A mãe também pode evitar certas atitudes que estimulam a criança a mamar, por exemplo, não sentar na poltrona em que costuma amamentar. Algumas vezes, o desmame forçado gera tanta ansiedade na mãe e no bebê, que é preferível adiar um pouco mais o processo, se possível. A mãe pode, também, optar por restringir as mamadas a certos horários e locais.

As mulheres devem estar preparadas para as mudanças físicas e emocionais que o desmame pode desencadear, tais como: mudança de tamanho das mamas, mudança de peso e sentimentos diversos como alívio, paz, tristeza, depressão, culpa e arrependimento.

“As mulheres devem estar preparadas para as mudanças físicas e emocionais que o desmame pode desencadear”

Mamães, o que acharam da entrevista? Eu adorei as dicas sobre o processo de desmame. Beijos da Mamãe Prática Mari.

4 comentários em “Perguntas-chave sobre amamentação”

  1. Muito bom o tema abordado, sou super a favor da amamentação desta forma, estou amamentando meu bebe de 5 meses, para mim é um momento muito importante, me realizo amamentando meu filho, é MARAVILHOSO, não consigo nem colocar em palavras o quanto é importante para mim amamentar meu filho.

  2. Excelente trabalho, aliás tudo que diz respeito a vínculos afetivos que se eternizam ao longo da existência deve ser sempre reforçado por profissionais competentes. Parabéns a essa amiga pela iniciativa. Grande Abraço.
    Keko

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