Criança viciada em computador: tem como evitar?

Gente, vou ser muito sincera: aqui em casa todo mundo anda muito “conectado” e até a bebê já adora brincar no tablet e smartphone. Por isso, comecei a ficar preocupada no exemplo que estamos dando a ela.

Pra ajudar, eu estava assistindo ao programa da Supernanny inglesa e fiquei ainda mais apreensiva quando vi um garoto que era super, hiper, ultra viciado em computador. A mãe, desesperada, não conseguia tirar o menino da frente do equipamento. Ele passava 12 horas em frente ao computador e até as refeições eram feitas ali mesmo!

Você deve pensar “que absurdo! Como essa mãe deixa isso acontecer?”. Mas, gente, acho que antes de julgarmos essa mulher, vamos lembrar que ela provavelmente devia estar “no limite” quando chamou a britânica Jo Frost (Joanne Amanda Frost) para ser sua salvadora.

Então, o que podemos fazer para evitar esse comportamento das crianças se nós mesmos, pais, tios e até avós, usamos MUITO o computador e afins? Para termos uma resposta, recorremos mais uma vez à psicóloga e psicanalista Clarice Wichinescki Zotti, de Curitiba (PR). Ela é mãe de quatro filhos e corresponsável pelo Curso de Psicanálise de Crianças da Associação Psicanalítica de Curitiba. Confiram:

É possível evitar que a criança fique “viciada” no computador ou na internet?

É possível, afinal, a personalidade da criança e os seus hábitos são resultado de uma somatória de fatores, entre eles, a interação entre a educação que os pais dão, as vivências e interpretações dessa criança a respeito do que vive e vê em casa e da capacidade de seus pais em conseguirem dar os limites que ele precisa para ser uma criança de hábitos saudáveis.

O que os pais podem fazer para evitar que os filhos só queiram brincar no computador ou videogame?

Existem muitas brincadeiras infantis antigas e que permanecem no gosto das crianças. Por exemplo: esconde-esconde, mãe-pega, brincadeiras de bola, bicicleta, soltar pipas, bonecas (de verdade, e não as virtuais), brincar de escolinha, desenhar, brincar de modelagem com massinha e uma infinidade de outras atividades que usam muito o corpo e a coordenação motora, brincadeiras essenciais para o desenvolvimento psicomotor da criança nos primeiros anos de vida.

Nesse momento, os jogos virtuais podem ficar em último plano, sendo oferecidos eventualmente. De nada adianta uma criança cujo cérebro seja muito estimulado virtualmente se ela não desenvolve as habilidades relativas ao seu desenvolvimento psicomotor, percepção espacial, lateralidade, percepção temporal, etc.

“O computador deve ser apenas mais um dos objetos de brincadeiras, não o único”

O computador deve ser apenas mais um dos objetos de brincadeiras, não o único. E cabe aos pais dosar o tempo de uso e em que idade as crianças poderão utilizá-lo sozinhos. Mesmo assim, a vigilância e a supervisão dos pais são cuidados necessários para a segurança de nossas crianças.

Se os pais ficarem muito tempo no computador (mesmo que seja necessário, trabalhando) isso pode ser um mau exemplo?

A criança apreenderá muito bem as diferenças entre hábitos adultos e hábitos infantis se, para os pais, isso estiver bem claro na cabeça deles. São os pais que delimitam o que uma criança pode fazer e o que é reservado para eles ou para as crianças maiores. É só deixar isso claro para a criança e ser firme nessa colocação. Deve-se, portanto, mostrar à criança desde cedo que existem diferenças de tarefas e funções para as crianças e para os adultos. E mostrar que, à medida que forem crescendo, poderão conquistar novas tarefas e brincadeiras.

O problema é que é muito mais fácil deixar a criança na frente do computador ou televisão enquanto os pais (geralmente cansados ou com outros interesses) fazem suas coisas, do que, propriamente, reunir forças e brincar com a criança e lhe oferecer atividades mais saudáveis e estimulantes. É triste, mas isso acontece muito nos dias de hoje; todos têm que trabalhar muito e chegam em casa exaustos e com mais trabalho a fazer.

Quando se tem filhos, torna-se necessário rever algumas coisas. E os pais têm que estar cientes que precisam dar um suporte, uma base sólida de referências, interagindo com seus filhos e ajudando-os a se desenvolverem física e emocionalmente. A afetividade e trocas entre os pais e a criança são um fator primordial para ela se tornar um adulto equilibrado e saudável, e essas trocas o computador não pode dar.

“A afetividade e trocas entre os pais e a criança são um fator primordial para ela se tornar um adulto equilibrado e saudável, e essas trocas o computador não pode dar”

Beijos, da Mamãe Prática Mari, que vai tentar seguir as orientações da entrevistada.

Foto: freeimages/ Studio CL Art

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