Menino usando computador

Crianças e tecnologias: como colocar limites

Outro dia analisamos aqui no blog como os pais podem evitar que seus filhos se tornem crianças viciadas no computador e em outros dispositivos eletrônicos. Afinal, como conseguir isso se grande parte das mamães e papais de hoje adora as tecnologias e vive conectada nos tablets, laptops e smarthphones? Foi sobre isso que conversamos com a psicóloga e psicanalista Clarice Wichinescki Zotti, no post “Criança viciada em computador: tem como evitar?”.

Mas a nossa entrevista com a querida Clarice não parou por aí. Como muitos pais já enfrentam esse problema, perguntamos para ela, que é mãe de quatro, o que pode ser feito quando a situação já ficou complicada. Veja, a seguir, suas orientações.

Como convencer crianças a partir 4 anos a ficarem menos tempo no computador?

O ideal é não deixar uma criança se acostumar a ficar muitas horas no computador. Hábitos errôneos são difíceis de serem largados. Vai exigir mais empenho dos pais (ou de quem cuida da criança) para ela “se livrar desse vício”. Além do mais, muitas horas no computador podem gerar dores de cabeça, tonturas, dores na coluna e nas articulações, tendinites, etc. Ao primeiro sinal de algum desses sintomas, os pais devem diminuir o tempo de uso do computador.

É muito importante sempre colocar palavras nos atos com as crianças, ou seja, explicar as coisas para elas, o porquê dos “nãos”. E serem firmes! Não precisa ter dó da criança ao lhe impor limites. Limite é muito importante e a criança precisa disso. Ela praticamente pede por limites, por referências. Os pais precisam ter consciência de que a frustração faz parte da vida e [isso] é estruturante para o psiquismo infantil. Muitas vezes, os pais, inconscientemente, se veem na criança e poupam a sua “criança interior” desse tipo de sofrimento, mas isso não ajuda o seu filho a se tornar melhor.

Os pais também precisam oferecer outras atividades para a criança. Aos poucos, elas mesmas vão se interessando por brincadeiras mais sociais com outras crianças. Mas é preciso ter paciência e empenho. Dependendo da personalidade do seu filho e de como foi educado até então, isso será mais ou menos difícil e demorado.

 “Limite é muito importante e a criança precisa disso. Ela praticamente pede por limites, por referências” 

O que fazer quando a criança chora muito e faz birra se os pais a proíbem de usar o computador?

A firmeza de atitudes dos pais é muito importante. Algumas dicas:

  1. O casal precisa combinar entre si as atitudes que vão tomar com o filho e devem se apoiar mutuamente, pois uma criança percebe com facilidade os vacilos dos pais e a quem ela pode recorrer para fugir dos combinados ou dos castigos.

  2. Os pais precisam estar tranquilos e certos do que estão fazendo, devem ser unir nesse propósito e precisam conversar entre si. Vacilos de um ou de outro pode pôr tudo a perder. A criança precisa perceber que a ordem vem dos dois, pai e mãe, que a autoridade deles vem de cima e que ela está num patamar mais abaixo, e a ela só resta se render a isso. Os pais precisam perceber que são a autoridade para esse filho e o filho tem que reconhecer a autoridade dos pais. Se isso não se dá, problemas futuros podem ser esperados, principalmente quando entrarem na adolescência.

  3. Essas substituições [do computador por outras atividades] podem ser graduais – não precisam, necessariamente, serem violentas e/ou traumáticas. Crianças adoram novidades e, aos poucos, vão se rendendo às novas brincadeiras propostas, principalmente se os pais estiverem com ela, afinal, ter a atenção dos seus pais é tudo o que uma criança quer.

“A criança precisa perceber que a ordem vem dos dois, pai e mãe, que a autoridade deles vem de cima e que ela está num patamar mais abaixo”

Como deve ser a rotina dessa criança em relação ao uso do computador em casa e fora de casa?

Criança precisa de uma certa rotina para se sentir segura. Precisa saber o que vai acontecer com ela, como será o dia seguinte, como será na viagem, como deve ser o comportamento na casa dos avós, etc. Expliquem o roteiro, falem o que vocês esperam dela na viagem, façam combinados. Acostumem a criança a ter responsabilidade sobre o que combinam e, principalmente, lembrem-na do que foi combinado e cobrem isso dela. Combinado é combinado.

Um recado agora aos pais (ou aos que exercem a função paterna): lembrem-se de que quem estabelece a lei, via de regra, é o pai. Ou deveria ser. Salvo raras exceções, a mãe, por cuidar da criança em tempo intensivo e por ser muito mais afetiva e maternal, não consegue fazer também essa parte. O pai da criança precisa ajudá-la nisso. Com os dois educando juntos, tudo fica mais fácil e a mãe não fica sobrecarregada.

Às mães, posso dizer que deixem seus maridos ajudá-las, peçam isso a eles, incluam-nos nessa tarefa, afinal, foram precisos pai e mãe para a existência dessa criança. E quando pai, mãe, ou ambos, sofrem para pôr limites nos filhos e não conseguem, eu recomendo que procurem um analista e trabalhem essas suas dificuldades. Seu filho agradecerá no futuro.

“Os pais também precisam oferecer outras atividades [além do computador] para a criança”

Beijos, da Mamãe Prática Mari.

Foto: freeimages/ Patricia Dekker

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