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Paternidade por experiência

Nesta véspera do Dia dos Pais quem ganhou o presente fui eu (risos). Pela primeira vez, meu querido maridinho topou escrever para o blog e deixar aqui uma mensagem de reflexão sobre como está aprendendo a ser papai. Ele fala sobre a chegada do nosso Serginho e a importância do seu próprio pai para o aprendizado da paternidade. Que orgulho! Com a palavra, Fabio Venturini:

Paternidade por experiência

Por Fabio Venturini

As mulheres são coagidas à maternidade desde a infância. As que não ouvem da mãe e da avó como é ter um filho e cuidá-lo encontram facilmente na internet. Basta ver que você está lendo este texto num blog chamado Mamãe Prática. Procure como ser pai e como ser mãe no Google para ver a diferença. Ninguém chega para a gente e diz: olha, é assim que se faz.

Nos meus 37 anos de vida, durante mais de 36 fui o filho, no máximo o tio meio maluquete. Há pouco mais de um ano, quando voltei para casa com uma mulher em repouso absoluto pós-cesariana e uma criança dependente em absolutamente tudo, senti falta de alguém ter me ensinado, lá atrás, como lidar com aquilo tudo. Achava jamais ter aprendido a ser pai.

Meu velho me ensinou muita coisa, grande parte dos conhecimentos que me são mais valiosos. Porém, ensinar textualmente como ser, eu, o pai, nem tentou. Não aprendeu também do meu avô e ainda se especializou em me irritar na adolescência com aquela frase maldita: “Você vai ver quando for pai, quando tiver o seu filho”. Foi numa atividade corriqueira que encontrei, pelo menos, um sinal, um caminho possível.

Faço compras todos os domingos na feira. Certa vez me dei conta de que a cada passo me lembro de tudo que o meu pai, Serjão, me ensinava quando trabalhava com ele nas feiras da Zona Leste de São Paulo. Cada tipo de produto, modo de preparo, safra por época do ano etc.

Tudo  que faço para tentar não entupir o Serginho de sódio, açúcar, conservantes e corantes de produtos industrializados só foi possível porque convivi com meu pai. Surgiram então dezenas, centenas de lembranças.

A primeira vez que fui ao centro da cidade, o convívio com meu irmão, a proteção à minha irmã e o machismo da família contra ela, o que meu pai fazia porque achava ser coisa de pai e o que não fazia porque para ele era coisa de mãe. Mesmo no que eu penso em fazer diferente só é possível por causa da experiência juntos. Meu pai me ensinou a ser pai sendo ele mesmo. Não sistematizou de modo encontrável no Google. Seria útil.

Pode ser até que eu não prestasse atenção e fosse somente mais um evento em que ouviria “Você vai ver quando tiver seu filho”. Talvez ele tentou me ensinar e encerrou com essa frase irritante porque não dei muita importância. Sem escola de paternidade, sou como meu pai, tentando fazer o melhor para meu filho. Ele buscou e fez o que pôde.

Eu também busco e não conseguirei tudo que gostaria. Quando for a vez do Serginho tentando ser um pai melhor do que eu e do que o Serjão, precisará de muitas e úteis lembranças e experiências. Que eu o ajude a tê-las.

Foto: Mamãe PráticaFabio Venturini é jornalista  e professor.  É pai do Sergio, de 1 ano. Nas horas vagas gosta de ler, viajar, assistir futebol e, principalmente,  curtir o pequeno Serginho.

Queridos leitores e leitoras, espero que tenham gostado do texto e para os papais que essas palavras sirvam de inspiração para a relação que desejam ter com seus filhos.

Beijos, da Mamãe Prática Fabi

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