Qual a melhor escola para seu filho

“Qual a melhor escola para meu filho”? Certamente, em algum momento, todo pai e toda mãe acaba se fazendo essa pergunta. Há algum tempo, inclusive, recebemos uma mensagem de uma querida leitora (a Rose Göbel que tem uma filhinha de três anos), sugerindo que a gente abordasse aqui no blog quais são as diferentes linhas pedagógicas das escolas infantis, suas vantagens e desvantagens.

Pensando nisso e para ajudar a leitora Rose, assim como outras mamães e papais, consultamos a professora Maria Paula Vignola Zurawski, dos cursos de Pedagogia e de Pós Graduação em Educação Infantil do Instituto Superior de Educação Vera Cruz, de São Paulo.

Veja que bacana a entrevista da Profa. Maria Paula que foi muito esclarecedora e nos ajuda a refletir sobre qual tipo de escola queremos para os nossos filhos:

Quais são as principais linhas pedagógicas das escolas infantis?
Atualmente predominam escolas infantis de orientação humanista, ou seja, escolas que, em seus projetos pedagógicos, dizem valorizar o contato com as várias linguagens, as manifestações artísticas, e, mais recentemente, a brincadeira e o lúdico em seus currículos. Entre elas encontram-se as escolas de orientação construtivista que pautam seus currículos e práticas na teoria piagetiana de que o desenvolvimento do ser humano é determinado pela interação entre fatores internos (orgânicos, hereditários) e fatores externos (meio).

Estas escolas entendem que as crianças são ativas na construção do conhecimento e organizam as situações de aprendizagem valorizando a interação como o fator mais importante nessa construção e não a transmissão do conhecimento pelo professor, diante de uma criança que só o recebe.

É muito importante saber que o construtivismo não significa – como muitos pensam – deixar as crianças fazerem o que querem, ou aprenderem quando quiserem. Pelo contrário: trabalhar sob a perspectiva construtivista significa estudar e entender as crianças, e estar constantemente pensando e planejando atividades que favoreçam sua aprendizagem, considerando a ideia de que as crianças pensam sobre o mundo e tecem hipóteses sobre ele, embora seu pensamento seja diferente do pensamento adulto.

Também têm ganhado visibilidade as escolas que valorizam a infância como um período em que as crianças devem prioritariamente brincar, se socializar, ter contato com a natureza, desenvolver a linguagem oral e o contato com as linguagens expressivas, sem a obrigatoriedade das práticas iniciais de leitura e escrita, que só devem se iniciar a partir dos 7 anos, quando estarão intelectualmente prontas para aprender a ler e escrever. É o caso da Pedagogia Waldorf, baseada nos princípios da Antroposofia, criada por Rudolf Steiner.

Por conta da discussão atual sobre a importância da infância e da necessidade de garantir tempo e espaços para as brincadeiras infantis, para o movimento e para o “ser criança”, é difícil uma escola de educação assumir-se como conteudista ou fortemente comprometida com as aprendizagens intelectuais dos pequenos. Porém, estas escolas e práticas existem, e caracterizam-se por priorizar em suas atividades, desde muito cedo, exercícios de coordenação motora, propostas voltadas ao raciocínio lógico-matemático e, não raro, a práticas de leitura e escrita fundamentadas em métodos que associam as letras aos sons.

Ganham espaço também a abordagem inspirada nas escolas italianas, da cidade de Reggio Emilia, que entende a criança como protagonista e valoriza as linguagens expressivas, especialmente as artísticas, e a participação das famílias na construção do currículo escolar.

Como funciona cada linha pedagógica?
As escolas de orientação construtivista não trabalham com métodos prontos ou livros didáticos, pois valorizam o grupo de crianças e assim organizam suas atividades e projetos de acordo com as pesquisas e interesses delas – o que não significa que não existam expectativas ou metas de acordo com cada faixa etária. Nessas escolas, a avaliação é processual – acompanha-se o crescimento e as conquistas de cada criança durante as atividades, os projetos, as brincadeiras, e não apenas ao final deles.

Nas escolas mais tradicionais, que valorizam o conteúdo, é possível que as crianças sejam avaliadas por aquilo que conseguem fazer, independentemente de seu caminho pessoal – geralmente se aplica a mesma avaliação para todas as crianças ou se atribuem notas e conceitos, desde muito cedo.

Quais são as vantagens e desvantagens de cada uma?
Muitas vezes, em escolas mais preocupadas com o desenvolvimento intelectual das crianças, é possível que se exija delas muito tempo de contenção motora, que passem demasiado tempo nos ambientes internos, que sejam submetidas a atividades homogeneizantes, em que sua criatividade não seja valorizada. Será exigido delas o controle motor e uma atenção que somente uma criança maior, no Ensino Fundamental, terá. Isso não é bom. Por outro lado, uma escola que não se comprometa com as aprendizagens das crianças, que não ofereça oportunidades de que as crianças construam significados sobre as coisas que veem e vivem, uma escola que não dialoga, ou mesmo recusa a ideia de que as crianças se interessam pelo conhecimento e pela cultura, “proibindo-a” de escrever, por exemplo,  também não me parece uma boa escola.

Especificamente sobre a Escola Waldorf, recebemos uma mensagem de uma leitora do blog que tem uma filha de três anos matriculada nesse tipo de escola e está preocupada com a questão da alfabetização, pois nesse caso as crianças são alfabetizadas mais tarde enquanto que em outras linhas pedagógicas as crianças aprendem a ler e escrever desde cedo e têm até aulas de informática. Qual a sua opinião sobre isso?
É preciso antes de tudo desfazer essa confusão sobre alfabetização. Na verdade, as crianças se interessam pela escrita e pela leitura genuinamente, não porque alguém decide por elas, mas porque estão imersas na cultura letrada. É impossível esconder isso: ela vê seus pais lendo o jornal; ela ouve histórias lidas e logo compreende que aquele texto da sua história predileta se conserva sempre o mesmo – e isso por causa da escrita; ela vê seu nome escrito e começa a pensar sobre como, por que e para que se escreve. Essa aproximação das crianças do mundo da escrita pode ser vivida de forma lúdica, prazerosa, repleta de significado, como em qualquer brincadeira desafiadora. Responder a esse interesse das crianças é um sinal de respeito, a meu ver. A atividade da leitura e da escrita não pode ser um tabu, mas deve ter sentido para as crianças. E é pela mesma razão que colocar uma criança de dois anos, meia hora por dia, repetindo sons e dizendo que cada som corresponde a uma letra, não é uma boa forma de alfabetizá-la; não é, nem mesmo para as crianças maiores.

A mesma questão deve ser feita com relação à alfabetização digital. Para quê? Por quê? Faz sentido para a criança, nesse momento da sua vida, no tempo que ela vive agora? Porque se é para preparar a criança para o mercado de trabalho aos dois anos, penso que há algo muito, muito errado….

Queridos leitores, o que acharam do tema? Se você está pesquisando a melhor escola para o seu filho, espero que essas informações possam te ajudar.

Beijos, da Mamãe Prática Fabi

*Crédito da foto que ilustra este post: Sam LeVan

4 comentários em “Qual a melhor escola para seu filho”

  1. Obrigada Paula! Sou professora e amigos e família sempre me fazem essa pergunta, que não é nada simples, principalmente se tenho uma opinião sobre as linhas pedagógicas que nem sempre é o que querem ouvir. Vou sugerir este post para ajudá-los!

    1. Legal saber que nossos textos também estão ajudando vocês, educadores! Obrigada pela visita e continue nos acompanhando! Bj grande Mari e Fabi

  2. Adorei!! Vou compartilhar com as outras maes da escola da minha filha, pois a duvida sobre a melhor linha pedagogia é geral. Obrigada pela ajuda, Fabi! Bjs

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