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Pós-parto, amamentação e pós-quarentena: esta fase não precisa ser um bicho de sete cabeças

No post de hoje vou abordar um assunto bastante delicado e pouco falado entre as mamães porque, acredite se quiser, ainda é rodeado de mitos e tabus: a sexualidade no pós-parto e como prevenir uma nova gravidez.

Confesso que eu mesma tive dúvidas sobre esse tema quando o Serginho nasceu, há pouco mais de um ano: Vai demorar para poder namorar de novo com meu parceiro? Quanto tempo vamos ter que esperar? Cadê a vontade? Será que amamentando corro o risco de engravidar? Felizmente, com a orientação da minha ginecologista e a compreensão do maridão tudo foi voltando ao normal com o passar do tempo.

Como esse é um tema complexo e sei que muitas das nossas leitoras devem estar passando (ou vão passar) pelo pós-parto, resolvi entrevistar o ginecologista Eliano Pellini para esclarecer o tema. Ele é chefe do Setor de Saúde e Medicina Sexual e professor afiliado da Faculdade de Medicina do ABC Paulista. A seguir, um pouco dessa conversa – bastante franca – que tive com o Dr. Pellini. Veja que bacana:

Pós parto x desejo
Segundo o médico, se você perguntar para as mulheres que deram à luz quando gostariam de voltar a ter relações, elas vão dizer que somente quando o bebê tiver desmamado ou quando estiverem se sentindo bonitas novamente, tiverem perdido o inchaço da gravidez. Na verdade, a maioria das mulheres volta a ter interesse sexual muito tardiamente.

Mudanças hormonais
A diminuição da libido é algo normal nas mulheres que estão amamentando e que acabaram de ser tornar mães, principalmente devido às mudanças hormonais. “A mulher passa a ter a prolactina muito alta e o hormônio feminino muito baixo. Além disso, vários hormônios como a ocitocina, que são produzidos toda vez que ela amamenta, fazem com que tenha mais interesse no filho do que no parceiro”, explica Pellini. Após o período de resguardo, de 40 dias, apenas 10% a 15% das mulheres sentem-se animadas em voltar a ter relações com o parceiro. Na verdade, são aquelas mulheres que já tinham muito interesse sexual de forma espontânea antes da gravidez.

Tudo diferente
O ginecologista lembra que as mudanças hormonais deixam a vagina da mulher mais seca, o que pode tornar a relação sexual mais difícil e dolorida. Além disso, após o parto tem muita coisa acontecendo. “Se ela teve um parto normal ficaram alguns pontos, tem a cicatrização, tem a loquiação [que é o sangramento no pós-parto], o leite vasa pelos seios, ou mesmo a cicatriz da cesárea, além da diminuição do hormônio feminino”, diz Pellini. E somando-se a isso estão os fatores psicológicos já que agora a mulher tem um novo papel, o de mãe, e precisa cuidar de um serzinho totalmente dependente dela. É por tudo isso que a maioria das mulheres volta a ter uma vida sexual muito diferente do que era antes.

Contracepção x amamentação
Ao contrário do que muitos podem pensar a amamentação não é um método contraceptivo eficaz. Isso porque algumas mulheres podem voltar a ovular mesmo quando estão amamentando.

Para retomar a vida sexual e prevenir uma nova gravidez, o ginecologista diz que as pílulas anticoncepcionais de progestagênio, hormônio que inibe a ovulação, são a melhor opção contraceptiva e já podem ser tomadas a partir da sexta semana após o parto. Além de serem simples e fáceis de tomar, essas pílulas de uso contínuo foram desenvolvidas exclusivamente para as mamães que amamentam, sendo muito seguras e eficazes.

“As mulheres que estão amamentando não podem usar as pílulas comuns, chamadas hormonais combinadas, porque estas podem diminuir a qualidade do leite e a quantidade de proteína do leite, além de passar hormônio feminino para o leite materno”, diz Pellini.

Aliás, essa é uma das principais dúvidas das mulheres que estão amamentando, ou seja, se o contraceptivo oral pode interferir na qualidade do leite e passar algo para o bebê. Segundo o Dr. Pellini, ao contrário das pílulas anticoncepcionais comuns, as pílulas feitas para as mulheres que amamentam são mais seguras porque são livres de estrogênio. Dessa forma, não interferem na qualidade ou volume do leite materno, assim como na saúde do bebê.

O médico lembra também que muitos casais optam por voltar a ter relações com camisinha, mas essa não é a melhor opção já que a vagina fica muito ressecada devido às mudanças hormonais. Outras opções de métodos contraceptivos são os DIUs (dispositivos intrauterinos) que podem ser colocados seis semanas após o parto.

O que fazer
Bastante objetivo, Dr. Pellini dá as seguintes dicas para quem está vivendo o pós-parto:

  • Dê tempo ao tempo e tenha calma
  • Cuide-se, perca peso e volte a se sentir desejada
  • Converse com seu ginecologista
  • Use lubrificantes sexuais
  • Invista na relação do casal, no romance
  • Não coloque o bebê para dormir no quarto do casal ou no meio da cama
  • Reorganize as suas fantasias, desejos e interesses. Converse com seu parceiro
  • Tente voltar ao trabalho o mais rápido possível para você se sentir bem (se você estiver ansiosa para voltar a trabalhar e essa for a sua opção)
  • Use um método contraceptivo seguro como o contraceptivo oral com progestagênio.

Querida leitora, espero que essas informações possam te ajudar a passar pela fase de amamentação e pós-parto de forma mais tranquila, plena e segura.

Beijos, da Mamãe Prática Fabi

Foto: Sueli Zischler Photography

 

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