Quando as crianças mordem e batem: como agir

Manu e Serginho, com apenas 2 anos e meio e 1 ano e meio, respectivamente, começaram a brigar. Enquanto ela chora diante de um puxão de cabelo do primo, este continua repetindo o comportamento, principalmente por ciúmes dos pais. “E agora, José?”

Quando convidamos nossa querida colunista, a psicóloga Ana Flávia Fernandes, do blog Terapia de Criança, para escrever sobre o tema “como ensinar meu filho a se defender”, esta situação ainda não tinha acontecido! Eu estava pensando nas temíveis mordidas e brigas que podem acontecer na escolinha. Então, os ensinamentos da nossa colunista vieram em boa hora! Com a palavra, a Ana Flávia:

Ensinando seu filho a se defender

Os confrontos entre as crianças pequenas – de 1 a 3 anos e de 3 a 5 anos, por exemplo – são naturais para que elas encontrem soluções para lidar com as dificuldades dos relacionamentos, mesmo que sejam pontuais. É um exercício muito rico e importante para desenvolver a interação, o autoconhecimento e a autonomia dos pequenos.

O grande desafio aparece quando as crianças brigam e trocam agressões verbais e/ou físicas (como empurrões, puxões de cabelo e mordidas). Muitas vezes, essa é a forma dos pequenos pedirem ajuda, e esse pedido acontece porque as crianças vivem o processo de individualização, ou seja, surge a necessidade de se perceberem únicas para si mesmas e para as pessoas significativas para elas.

Então, o que fazer quando seu filho sofre com alguma atitude agressiva de outra criança na família ou na escola? Com os pequenos de 1 a 2 anos é importante darmos orientações mais objetivas: falar que o bater machuca e que deixa a outra pessoa triste, além de evitar sorrir ou incentivar que a criança se defenda agredindo a outra criança.

O que podemos ensinar sobre a defesa para os pequenos é que ela não deve ser uma competição violenta e agressiva do “bateu, levou” e sim uma oportunidade de cada um expor seu ponto de vista. A criança precisa entender o que ela fez que o outro agiu daquela maneira, além de aprender a pedir desculpa, perdoar, negociar, ceder e pedir para que o outro possa ceder também, a fim de que essa troca se torne um aprendizado e não uma briga sem fim em que não há vencedores.

“A criança precisa entender o que ela fez que o outro agiu daquela maneira, além de aprender a pedir desculpa, perdoar, negociar, ceder e pedir para que o outro possa ceder também, a fim de que essa troca se torne um aprendizado e não uma briga sem fim em que não há vencedores”

Com as crianças de 3 a 5 anos, no caso da criança que fez a agressão, podemos ter um bate papo mais amplo com ela de como nos sentimos quando a criança desrespeita outra pessoa e podemos abrir espaço para ela também falar sobre seus motivos e sentimentos ao agir daquela forma. É importante conversar sobre maneiras como ela gostaria de ser tratada e como poderia se comportar da próxima vez que isso acontecer.

Independentemente da idade, quando a criança for agredida é importante o nosso acolhimento e um convite para os envolvidos na briga tentarem transformar suas atitudes. Nas primeiras vezes, tanto as crianças menores quanto as maiores precisam do nosso auxílio para fazer isso. Conforme repetimos esse mesmo comportamento, toda vez que o confronto acontecer, gradativamente elas vão compreendendo essa forma de funcionamento com as pessoas. Assim, vão se sentindo seguras com a nossa presença e apoio, necessitando cada vez menos da nossa presença para desempenhar sua defesa contra qualquer tipo de agressão.

Nosso desafio como adultos é interromper esse ciclo de competição entre as crianças e estimular a colaboração mútua, mostrando que podem contar com a nossa ajuda para pensar em novos caminhos de resolver a situação. Assim, a defesa aparece como uma ferramenta poderosa de crescimento pessoal de todos e não como arma para disseminar a violência.

Com amor, Ana Flávia Fernandes.

Ana Flavia FernandesPsicóloga Infantil com especialização em Psicodrama, Ana Flávia Fernandes atende as crianças e suas famílias há muitos anos. “Para cuidar bem dos pequenos, também é preciso cuidar dos adultos a sua volta”, explica. Muito querida e atenciosa, ela também nos brinda com a sua sabedoria e experiência clínica no blog Terapia de Criança.

Mamães, o que acharam deste tema e orientações da nossa colunista? Mais alguém passando por alguma situação parecida em casa ou na escolinha? Contem pra gente aqui nos comentários!

Beijos, da Mamãe Prática Mari

Foto: freeimages.com

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