Vou ter um irmão, e agora?

Ter um segundo filho também implica em preparar o primeiro para a grande mudança que haverá na vida de toda a família. Você já parou pra pensar que não apenas os pais, mas o filho mais velho irá precisar se adaptar? E como fica o “coraçãozinho” dessa criança que, antes, era o rei ou a rainha da casa? É sobre isso este novo artigo da nossa colunista, a psicóloga infantil Ana Flávia Fernandes, do blog Terapia de Criança. Então, como preparar o mais velho para a chegada do bebê? A querida Ana Flávia explica pra gente tudo isso em detalhes:

Vou ter um irmão, e agora?

Como fica a cabecinha dessa criança que até agora era filha única? Como os pais podem ajudá-la? O que os pais podem fazer na prática para preparar o filho mais novo para a chegada do bebê? Como fazer isso de acordo com as idades, ou seja, se o primeiro filho tiver 1, 2, 3, 5 anos ou mais? O que pode ser feito ainda na gestação do segundo filho e naqueles primeiros dias em que o segundo filho nasce? Como “minimizar” o ciúmes?

Toda família tem um ritmo próprio de viver. Com a chegada de uma criança em uma família que já tem filho, toda esta dinâmica familiar passa por transformações. O maior medo do filho que vai ganhar um irmão é perder o amor dos pais. Isso acontece porque, para as crianças, o amor está relacionado à atenção que recebem dos pais e, com a chegada do irmão, ela será dividida.

“O maior medo do filho que vai ganhar um irmão é perder o amor dos pais”

Para proteger esse sentimento do filho mais velho, muitos pais preferem não contar que um irmão está a caminho. Ao perceber que algo diferente está acontecendo, mas que é desconfirmado pelos pais, a criança começa a questionar sua percepção sobre a realidade e cria fantasias que podem gerar mais angústias do que a situação real traria. Assim, sua mente é bombardeada por sentimentos de insegurança e desconfiança.

Independentemente da idade do primeiro filho, a sensação de estar conectado com os pais é fundamental nesse processo de reajustes da nova realidade. Será uma adaptação gradual de como a família vivia antes e como vai viver agora com mais um integrante no grupo. Encarar esta situação e ir ajustando ponto a ponto é um preparo para desenvolver a irmandade entre os filhos e diminuir o medo e a ansiedade com a chegada do mais novo.

Um bom começo é convidar a criança para também experimentar um pouco do que a mãe vive durante a gravidez. Por exemplo, tocar a barriga quando o bebê estiver se mexendo e conversar com ele. Os pais podem estimular a interação entre os irmãos e ensinar desde a gestação o quanto é importante que a relação entre eles seja de parceria e não de competição.

Nos primeiros dias após o nascimento, a criança pode participar conforme sua capacidade de ajudar: pegar a pomada, abrir e fechar a gaveta de fraldas, lavar os pezinhos do bebê, etc. É importante que mesmo fazendo de uma maneira diferente da que a mãe faria, reforçar a iniciativa, orientando como poderia fazer da próxima vez é melhor do que dizer “deixa que eu faço”. Essa participação e o reconhecimento do filho mais velho facilitam a aceitação da presença do novo bebê e auxiliam o aprendizado do que é ser irmão.

“Nos primeiros dias após o nascimento, a criança pode participar conforme sua capacidade de ajudar”

Para isso é necessário que cada filho seja olhado como único, sem comparações ou expectativas exageradas em relação ao seu desenvolvimento. Que seja valorizado nas suas necessidades, no modo de se apresentar ao mundo e na vontade dos pais de que esteja junto, sentindo que tem seu lugar legitimado e que o amor que sentem por ele está garantido. A criança percebe que o amor está intacto, ela se acalma e pode curtir o irmão que está chegando. E quando o irmão que está chegando sabe da presença desse amor, do seu lugar garantido e que além dos pais, tem um irmão para ganhar amor, ele também é capaz de se acalmar, retribuir e oferecer amor para todos.

Ana Flavia FernandesPsicóloga Infantil com especialização em Psicodrama, Ana Flávia Fernandes atende as crianças e suas famílias há muitos anos. “Para cuidar bem dos pequenos, também é preciso cuidar dos adultos a sua volta”, explica. Muito querida e atenciosa, ela também nos brinda com a sua sabedoria e experiência clínica no blog Terapia de Criança.

Meninas, adorei esta reflexão da Ana! Além de ajudar quem já vai ter o segundo, o terceiro ou o quarto filho, também é interessante pra quem, como eu, ainda está pensando se vai ou não ter mais um filho.  E se você gostou deste artigo, tem mais outras orientações e reflexões da Ana aqui:
– Quando as crianças mordem e batem: como agir
Qual o melhor momento para o desmame?
 Quando a criança só quer dormir com os pais
 Como educar sem precisar bater ou colocar de castigo

Beijos, da Mamãe Prática Mari

Foto: Mimo Fotos

logo_clubeCadastre-se no Clube Mamãe Prática para receber nossos posts e novidades!

Um comentário em “Vou ter um irmão, e agora?”

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.