Ser independente

Meu filho não quer ser independente

Olá amiga seguidora! O tema deste artigo – “Meu filho não quer ser independente” surgiu de uma necessidade que eu mesma estou passando no momento: entender por que minha pequena, que hoje está com quase 4 anos, demonstra em muitos momentos não querer ser independente, ou seja, prefere que eu faça algo por ela, quando ela mesma já poderia estar fazendo sozinha (como subir as calças ou comer sozinha).

Diante dessa minha angústia de mãe, pedi para a nossa colunista, a psicóloga infantil Ana Flávia Fernandes, discorrer sobre o assunto: quando a criança não quer ser independente. Li, li novamente e li mais um pouco (risos), e parece que “a minha ficha caiu” … Quer saber o que estou dizendo? Então, dá só uma olha nesta importante reflexão da Ana Flávia:

“A Manu está com 3 anos e meio e parece ter preguiça, não sei se é o termo correto. Não quer subir a calça sozinha, não quer comer sozinha (ela quer fica brincando, se distraindo, e que a gente dê a comida na boca dela). Como estimular que as crianças pequenas sejam mais independentes dentro de suas limitações? Por que é importante que as crianças aprendam coisas novas e que são capazes? Como estimular?”

Na rotina diária, tem momentos que o tempo é corrido e acabamos fazendo algumas coisas pelas crianças. Na intenção de finalizar o processo, evitar bagunça ou precisar refazer o que a criança fez dentro do seu próprio ritmo, o que naturalmente é mais lento, criamos o hábito de executar tarefas que os pequenos já são capazes de fazer. Então, quando o ritmo do dia está mais tranquilo e desejamos que as crianças executem essas atividades, podemos encontrar a preguiça ou o “eu não consigo”.

Dependendo da atividade e da faixa etária é possível que a criança não tenha desenvolvido sua total capacidade de fazer algo. Mas, se aproveitarmos as oportunidades do cotidiano e respeitarmos esse processo de desenvolvimento gradativo, aos poucos veremos suas habilidades se fortalecendo. Então, a dica que dou é: sempre que possível, deixe que as crianças experimentem fazer determinada tarefa sem a nossa intervenção, por exemplo, tomar suco sozinha. Pode ser que o tempo de concluir essa tarefa seja maior, o suco escorregue das mãos delas e suje o chão. Porém, essa é uma boa experiência para estimularmos seu sistema sensorial, coordenação motora, autonomia e a cooperação, caso tenham que ajudar a limpar a sujeira.

Enquanto a criança tenta descobrir a resposta a um desafio que ela tem, pode ser que cometa alguns enganos e tente, por exemplo, colocar mais suco do que cabe no copo. Nesses casos, evite rir, criticar, ser sarcástico e fazer muitas perguntas. É importante que a gente demonstre respeito a essas tentativas de “erro e acerto”. Assim, ela percebe que acreditamos na sua capacidade e não tiramos dela a esperança de que consegue solucionar algo que pensa ser difícil.

Nesses casos, evite rir, criticar, ser sarcástico e fazer muitas perguntas. É importante que a gente demonstre respeito a essas tentativas de “erro e acerto”

É importante que as crianças vivenciem seus conflitos e desafios para tentar encontrar suas próprias resoluções. Às vezes, por algum medo, acabamos fantasiando situações que podem ou não acontecer com a criança e, a partir disso, também antecipamos medidas protetivas para evitar que ela passe por um momento difícil na sua vida. Na tentativa de protegê-las de um possível sofrimento, privamos de exercitarem sua resiliência e capacidade de resolver suas dificuldades.

Nosso desafio é supervisionar, oferecer segurança e proteção às crianças. Mas é preciso diferenciar as situações e entender que existem contextos que não colocam em risco a vida de ninguém e por isso elas podem vivenciar de forma mais independente. Nós estaremos ali nos bastidores acompanhando, abrindo espaço para desenvolverem toda sua capacidade de escolha, consequência, resolução de problemas e fortalecendo a construção da personalidade delas.

psicóloga infantil Ana Flavia FernandesPsicóloga Infantil com especialização em Psicodrama, Ana Flávia Fernandes atende as crianças e suas famílias há muitos anos. “Para cuidar bem dos pequenos, também é preciso cuidar dos adultos a sua volta”, explica. Muito querida e atenciosa, ela também nos brinda com a sua sabedoria e experiência clínica no blog Terapia de Criança.
Então, amiga, o que achou deste artigo? Você também vive situações assim com seus filhos? Você tem alguma dica bacana pra dividir com outras mães para estimular seu filho a ser independente (dentro de suas limitações)? Conte pra mim aqui nos comentários!

Aproveito, ainda, para relembrar as dicas de outro post relacionado ao assunto da criança ser independente. Esse outro texto é sobre a importância de chamar as crianças para ajudar nas tarefas de casa. Nossos filhos podem ajudar, por exemplo, a cuidar de plantas e animais de estimação e ajudar a guardar objetos, claro, tudo dentro de suas limitações. Saiba mais aqui.

Lembro, ainda, as palavra da Ana Flávia: “O direcionamento da execução de tarefas diárias com começo, meio e fim gera uma segurança [na criança] de saber para onde vai, o que vai acontecer no próximo passo. Isso ajuda no desenvolvimento de habilidades fundamentais para a criança aprender a gerenciar sua vida e realizar seus sonhos ao longo dessa jornada”. Saiba mais em “Como preparar seu filho para a vida adulta”, em entrevista que fiz com a Ana Flávia aqui mesmo no blog!

Veja também: “Crianças que cozinham comem mais e melhor”.

Beijos, da Mamãe Prática Mari

Foto: Lu Morassi (linda foto com a minha Manu!)

logo_clubeCadastre-se no Clube Mamãe Prática para receber nossos posts e novidades!

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.