Meu filho gosta de rosa, sim!

Essa frase poderia ser dita por mim se eu tivesse menino, mas como eu tenho menina, posso dizer: “Minha filha gosta de azul, sim!”

Aliás, ela tem 4 anos e também gosta de vermelho, a sua cor preferida, assim como adora se vestir de princesa, assistir Lady Bug, brincar de jogar bola, brincar com carrinho, correr (muito!) e fazer as suas comidinhas com seu fogãozinho. Ela gosta de brincar, e ponto!

Já o meu sobrinho Serginho (primo da Manu, mas que mais parece irmão dela de tanto que os dois se amam) é um menino arteiro lindo de quase 4 anos que adora rosa, a sua cor preferida, assim como também pede para brincar com panelinhas.

E daí? Por que algumas pessoas ainda se admiram com isso e demonstram preconceito? Vivemos em 2017, mas às vezes sinto que estamos em 1900 e bolinha, quando vejo olhares críticos sobre isso.

Por outro lado, tenho visto iniciativas bem bacanas que vão na contramão desse preconceito. Recentemente, fiquei muito feliz quando descobri que, na escola da minha filha, os meninos da sua sala que manifestaram interesse também estão fazendo balé. Sempre lembro daquele filme sobre a história de Billy Elliot (trailer) que descobre a paixão pela dança clássica aos 11 anos.

É isso que as escolas brasileiras de educação infantil e nós, pais, também podemos fazer pelo futuro do nosso Brasil: tratar as crianças de forma igualitária e tolerante, sejam meninos, sejam meninas.

Quando fazemos isso, permitimos que nossos filhos descubram novos talentos: na cozinha, no esporte e na dança, por exemplo. Permitimos que as crianças possam se expressar sem preconceitos e contribuímos para um futuro mais igualitário e com menos casos de bullying nas escolas.

A realidade

Priscila Cruz, fundadora e presidente-executiva do Movimento Todos Pela Educação, lembra dados de uma pesquisa da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O estudo mostrou que 32% dos homossexuais entrevistados afirmaram ter sofrido preconceito em sala de aula. “Eles também disseram que os professores e funcionários das instituições de ensino não sabiam como agir diante das situações de violência.”

Também segundo Priscila, um em cada dez estudantes brasileiros é vítima de bullying – ou seja, de agressões físicas e psicológicas – dentro da escola. O dado é de um levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com base no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2015.

Cabe a nós, pais, ficarmos atentos ao HOJE: como a escola de seus filhos está tratando não apenas o seu maior tesouro, mas também os seus coleguinhas? Não se cria espaço para o preconceito? Lembrando que as atitudes da equipe escolar muitas vezes valem muito mais do que um grande discurso, afinal, as nossas crianças aprendem pela simples observação. Como nesse caso das aulas de balé …

São atitudes como essa que contribuem para se evitar novos casos de bullying. Como lembra Priscila, por excelência, a escola é o lugar onde formamos cidadãos que tenham apreço pela liberdade e pela tolerância, sempre em igualdade de condições para todos.

Por isso, tanto os educadores quanto os pais podem ficar mais atentos ao respeito à igualdade de gêneros quando o assunto é a forma de a criança se expressar no mundo, seja deixando as meninas brincarem mais de carrinho e de bola, seja deixando os meninos brincarem de casinha, de fazer comidinha e/ou com boneca, se assim desejarem.

Que atitudes como essa da escola da minha filha rendam bons frutos não só a ela, mas a seus amiguinhos, principalmente quando todos se tornarem adolescentes. É trabalhando o hoje que mudamos o nosso futuro, um futuro com mais tolerância e menos preconceito.

Beijos, da Mamãe Prática Mari

O blog Mamãe Prática faz parte da rede de blogs embaixadores do movimento Todos pela Educação. Informações de Priscila Cruz reproduzidas com autorização. Acesse: www.todospelaeducacao.org.br

Foto: freeimages.com/Karl Mooney (foto meramente ilustrativa)

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16 ideias sobre “Meu filho gosta de rosa, sim!”

  1. Não existe, de menino ou de menina….é tudo de criança! Bia amava Legos , especialmente aqueles que se diziam que era pra meninos…Também já escrevi muito sobre isso…o importante é a criança feliz!!
    Bjs

  2. É triste essa realidade de ainda termos preconceitos e pessoas que não saibam lidar com as diversidades. Aqui as minhas meninas sempre usaram qualquer cor e brincaram de carrinhos. Elas também tinham amigos que brincavam de bonecas, panelinhas e carrinho de supermercado. Todos juntos se divertindo, sendo crianças e felizes.
    beijos
    Chris

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