Eletrônicos e crianças: como colocar limites que funcionem

Vou confessar para vocês que atualmente os eletrônicos (tabletes, celulares) estão sendo motivo de bastante estresse aqui em casa. Meu filho Serginho está com quase 5 anos e, se deixar, passa o dia inteirinho assistindo a vídeos no YouTube (principalmente aqueles sobre jogos como Minecraft ou Roblox) ou jogando. A fissura é tanta que até para ir ao banheiro quer levar o aparelho.

Depois de uma tentativa (frustrada) de limitar o uso desses eletrônicos para o período da noite (após tomar banho e jantar), agora o pai dele acaba cedendo e dando o celular algumas vezes por dia, tentando fazer combinados que nem sempre funcionam (“depois que a bateria acabar você vai fazer outra coisa”). Mas aí o celular é carregado novamente…

Vou contar que teve um dia em que o estresse foi tanto que já era mais de meia noite e a criança não queria desligar o tablete para dormir. Fiquei tão nervosa que joguei o aparelho no chão! E quebrou (imagina o prejuízo!)

O que também acontece por aqui é que tanto eu quanto o pai dele trabalhamos boa parte do tempo em casa, usamos muito tecnologias como computador e celular, e sei que isso também influencia muito.

Enfim, por aqui sigo tentando lidar melhor com esse assunto, pois fico angustiada ao ver meu pequeno muitas horas por dia sentado com eletrônicos na mão. Brincar de outra coisa? Só se estamos juntos, mas nem sempre conseguimos parar nossos afazeres para dar a atenção que ele precisa, confesso.

Bom, contei tudo isso para dizer que gostei muito do artigo enviado pra gente pela psicóloga Silvana Elisabete Moreira, pois nos ajuda a pensar em estratégias para acharmos um equilíbrio melhor quando o tema é tecnologia x crianças. Se você também tem essa dificuldade na sua casa, acredito que vai gostar das dicas da especialista! Com a palavra, Silvana Elisabete Moreira*:

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Crianças e tecnologia: qual o limite?

Há dez anos, a infância era sinônimo de brincadeiras como queimada, esconde-esconde, corda, amarelinha e ciranda. Hoje em dia, as tradicionais brincadeiras cederam espaço à tecnologia, e é cada vez mais comum encontrar crianças utilizando celulares e tablets ao invés dos brinquedos habituais. Mas será que essa exposição precoce pode gerar danos futuros?

Conteúdo

A tecnologia pode ter um impacto muito positivo para a garotada, principalmente no aprendizado, se utilizada de forma adequada e sem excessos. Afinal, na internet é possível aprender um pouco de tudo, desde letras e números até um novo idioma, com aplicativos específicos para cada assunto e direcionado às diversas faixas etárias. Porém, os pequenos podem ter acesso a conteúdos impróprios, como vídeos e fotos que contenham algum tipo de violência. Sendo assim, além de controlar a permanência, os pais também devem ficar atentos ao que é consumido.

O tempo ideal de interação com aparelhos eletrônicos varia de acordo com cada família e seus hábitos, mas deve ser definido observando o comportamento da criança. Um dos primeiros sintomas facilmente identificável é a perda de convívio social. O contato excessivo com a tecnologia pode ter sérias consequências, como não saber trabalhar em equipe, devido ao isolamento social causado pelo uso de celulares. Além disso, existem problemas ligados ao aparelho locomotor, pois a criançada passa a maior parte do tempo sentada, justamente na época que seus corpos deveriam estar se desenvolvendo.

Não deixe de lado as brincadeiras clássicas

Existem vários motivos pelos quais todos os filhotes mamíferos brincam, pois é dessa forma que descobrem como se comportar no mundo adulto. Com os pequenos não é diferente, eles aprendem a utilizar todos as suas habilidades físicas e psíquicas nas brincadeiras e interações sociais presentes na infância. A imaturidade de uma criança que por diversos motivos – inclusive por insegurança dos pais –, é privada de convívio social é gritante, ela perde ou retarda a capacidade de perceber os jogos psíquicos que fazem parte da vida adulta, o que pode gerar inúmeras frustações.

Ache o equilíbrio

Os pais devem priorizar o equilíbrio, sem proibição no uso de novas tecnologias e nem permitir que a infância seja roubada. Um truque poderoso é oferecer alternativas, como um fim de semana inesquecível, com brincadeiras ao ar livre, um piquenique no parque, um jogo de mímica em família, algo simples, mas que seja lembrado e que possa se tornar um hábito semanal ou mensal.

Para que a garotada respeite as decisões dos pais de forma mais fácil, é necessário que os mesmos deem o exemplo. Uma proibição ou rigor em excesso fica sem sentido se eles utilizarem celulares e outros aparelhos sem discriminação, inclusive durante as refeições.

*Silvana Elisabete Moreira (CRP 47499 – 2) é psicóloga cadastrada na plataforma on-line de serviços de saúde por preços acessíveis. doutor123.com.br/

 

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Beijos, da Mamãe Prática Fabi

Foto: Mamãe Prática (Serginho com a prima Manu e o amigo Theo entretidos com eletrônicos).

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4 thoughts on “Eletrônicos e crianças: como colocar limites que funcionem”

  1. Fabi, essa luta sua é a de muitas mães e cada vez mais. Consegui manter o controle e equilíbrio entro o uso dos eletrônicos enquanto as minhas eram pequenas. Agora na adolescência é mais difícil ainda fazê-las desgrudarem.
    Óimo post.
    beijos
    Chris

  2. Oi Fabi, imagino como seja estressante. Eles agarram numa coisa que não querem fazer mais nada.
    Por aqui delimitamos tudo pra JM, se não, fica complicado.
    Força aí e com as dicas, tudo vai se organizando.

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