Intestino do bebê e da criança: dúvidas comuns esclarecidas por gastropediatra

O intestino do bebê e da criança: gastropediatra esclarece nossas dúvidas

Quando a gente é mãe (ou pai) de primeira viagem, as dúvidas aparecem muito cedo: cocô esverdeado, cocô que “some” por um tempo, barriga inchada, dor abdominal… Para ajudar a organizar essas informações diretamente ligadas ao intestino dos pequenos, reunimos abaixo as orientações da gastropediatra Mariana Deboni, respondendo questões muito comuns na rotina com bebês e crianças.

Este conteúdo é informativo e não substitui consulta. Se você tiver dúvidas sobre crescimento, dor persistente, alterações importantes nas fezes ou suspeita de desidratação, procure o pediatra.

As fezes do recém-nascido

Você já deve ter reparado que as fezes do recém-nascido variam muito durante o dia. Ao nascimento, a primeira evacuação é denominada mecônio, uma espécie de massa pegajosa, preta, que se assemelha a piche. O mecônio deve ser eliminado até 48 horas de vida. Em seguida vêm as evacuações rotineiras que variam do amarelo mostarda até tons variados de verde. A consistência é líquida ou semilíquida. Esse é considerado o padrão normal. Já imaginou a dificuldade que seria ter que eliminar fezes moldadas quando se passa a maior parte do tempo deitado?

Curiosidade: a coloração verde não é considerada um sinal de cólica e sim uma variação da normalidade. Significa que o seu bebê tem um trânsito intestinal rápido e eficaz.

Constipação Intestinal ou prisão de ventre

Ocorre quando há eliminação de fezes com dor ou dificuldade. Geralmente é acompanhada de aumento no intervalo entre as evacuações. Na maioria dos casos, não há nenhuma doença no intestino. O que ocorre é que ele passa a funcionar de forma muito lenta. Enquanto a aquisição desse ‘modo exagerado’ de funcionamento pode ocorrer de forma súbita, a sua correção exige tratamento prolongado com a ajuda de um pediatra ou gastropediatra.

intestino do bebê e das crianças, prisão de ventre

O que pode desencadear a prisão de ventre em crianças

Adiamento involuntário da defecação: as crianças são muito ocupadas com suas brincadeiras e não gostam de perder tempo no vaso sanitário. Esse comportamento que inicialmente é voluntário, rapidamente torna-se inconsciente e pode atrapalhar muito a vida do seu filho.

  • Mudanças na dieta: muito comum quando há a introdução de novos alimentos e troca de leite materno por fórmula.
  • Infecções febris agudas: nessa fase a criança tende a ficar sem apetite e beber pouca água. Dessa forma, as fezes se tornam mais consistentes.
  • Retirada das fraldas: quando a retirada é feita de forma precoce, os padrões bizarros de evacuação podem surgir.
  • Mudanças bruscas na rotina: viagem, troca de escola, mudança de casa.
  • Indisponibilidade de banheiro: cuide para que seu filho tenha sempre acesso a um vaso sanitário limpo. Jamais ensine que usar o banheiro fora de casa é sujo ou ruim. Essas crenças acabam acompanhando a gente por toda a vida.

Penico ou vaso sanitário?

Tanto faz! O importante é a aceitação da criança. Se o pequeno preferir usar o vaso sanitário, deve-se estar atento a alguns detalhes. Para que a evacuação se processe de uma maneira eficaz é importante que os pés estejam apoiados e que o vaso sanitário tenha um redutor de assento (à venda em qualquer loja de artigos infantis). Dessa forma, tanto a musculatura abdominal, quanto a pélvica serão utilizadas. Além disso, oferece mais segurança, já que elimina o risco de quedas. O mercado oferece opções para todos os bolsos. Não precisa gastar uma fortuna, apenas preste atenção nas dicas acima e procure produtos com certificação de qualidade.

Dor abdominal crônica

A queixa de dor abdominal na infância é algo muito comum. Na maioria das vezes ela é do tipo funcional, ou seja, não é decorrente de nenhuma doença do tudo digestivo. Ela ocorre devido a uma hipersensibilidade individual a estímulos fisiológicos (como a digestão, produção de gases e secreção de enzimas).

Para que a dor abdominal seja classificada como funcional é preciso observar as seguintes características

  • Ganho adequado de peso e estatura;
  • Ausência de sangue ou muco nas fezes;
  • Ausência de diarreia;
  • Ausência de febre;
  • Ausência de anemia;
  • Boa disposição para as atividades diárias;
  • Ausência de outros sintomas como dor nas juntas, aftas na boca e falta de apetite.

Quem tem sede bebe água

Quem convive com crianças já deve ter reparado que é cada vez mais comum o hábito de trocar água por sucos, refrescos, refrigerantes e bebidas à base de soja. Poucos sabem, mas esse costume é prejudicial à saúde. Ele aumenta o risco decáries e obesidade. Além disso, em grandes quantidades, alteram a aceitação da comida, causam dor abdominal e flatulência. Deixe essas bebidas para a hora do lanche. Após as refeições ofereça água (50 – 100 ml para as crianças pequenas e 200-300 ml para as maiores). Dê preferência ao consumo da fruta in natura em vez do suco ou refresco, já que assim as fibras podem ser ingeridas.

Confira também o post O intestino das crianças, com o médico Moises Chencinski, especializado em Pediatria e Homeopatia.

Post publicado por Mari Branco em 3 de fevereiro de 2016, atualizado em 10 de janeiro de 2026.

Imagens criadas com auxílio de inteligência artificial


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