Já tratamos aqui no blog sobre as alergias respiratórias nas crianças, depois do encontro que participamos com a médica Ana Paula Moschione Castro, que é especialista em Alergia e Imunologia pela Associação Médica Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI). Hoje o tema do post é a alergia alimentar, assunto também abordado no evento que foi promovido pelo laboratório MSD.
Segundo a especialista, as proteínas presentes no leite de vaca e no ovo são os principais desencadeantes de alergias alimentares nas crianças. Outros alimentos que também costumam causar alergia nos pequenos são soja, trigo, castanhas, amendoim, camarão e outros.
Sinais de alerta
- Sintomas gastrointestinais: diarreia, vômitos, dor abdominal, desconforto após a alimentação.
- Pele e mucosas: urticária, coceira, vermelhidão, inchaço (lábios/olhos/rosto), piora de dermatites.
- Crescimento e nutrição: dificuldade de ganho de peso, recusa alimentar, irritabilidade associada às refeições.
- Problemas de pele como urticárias, inchaços e dermatites.
- Sinais de gravidade: reação rápida após ingerir o alimento, sintomas em mais de um sistema (pele + respiração, por exemplo) e qualquer quadro compatível com anafilaxia — nesse caso, procure atendimento imediato, reação alérgica grave em que o paciente corre risco de falecer.
O que fazer para prevenir
Assim como nas doenças alérgicas respiratórias, a alergia alimentar é geralmente uma combinação de fatores genéticos e ambientais, por isso, quem tem alergia a algum alimento precisa ficar muito atento ao que está comendo.
- Procure um médico especialista e pesquise os contaminantes (alimentos que estão causando a alergia)
- Evite contato com os alimentos que causam a alergia
- Leia os rótulos dos produtos industrializados para verificar se há qualquer traço do alimento

Alergia x intoxicação alimentar
Uma dúvida comum é como saber se a criança teve uma reação alérgica ou somente uma intoxicação alimentar, principalmente se estamos fora de casa ou em uma viagem com os pequenos. Segundo a Dra. Ana Paula, quando a criança não tem histórico de alergia alimentar, os sintomas podem ajudar a identificar o problema.
No caso da intoxicação alimentar, em mais de 99% das vezes os sintomas são vômitos e diarreia, além de febre e até vermelhidão no corpo. Já no caso de uma reação alérgica grave os sintomas gastrointestinais podem ser acompanhados por problemas de pele, como urticárias, mas não febre. Outro ponto é que na alergia alimentar os sintomas aparecem rapidamente, em até duas horas depois do alimento ser ingerido, ao contrário da intoxicação que provoca uma reação mais lenta.
Ouça a entrevista da médica Ana Paula Moschione Castro para o blog Mamãe Prática sobre alergia alimentar
Põe no Rótulo
Em 2014, um grupo de famílias de pessoas alérgicas criou na internet a campanha para chamar a atenção da população e das autoridades sobre a necessidade da rotulagem correta de alimentos alérgenos, como leite, soja, ovo, peixe, crustáceos, amendoim, oleaginosas e glúten. A campanha Põe no rótulo se tornou um movimento articulado principalmente para pressionar por rotulagem mais clara, visível e compreensível em alimentos industrializados — especialmente para destacar alergênicos e reduzir riscos de consumo “por engano”.
Na prática, o movimento atua com informação ao consumidor, mobilização em redes sociais e advocacy junto a órgãos reguladores (como a Anvisa) para que rótulos indiquem de forma direta quando um produto contém (ou pode conter) ingredientes alergênicos. Um marco ligado a esse tema é a RDC nº 26/2015, norma da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que estabelece requisitos para rotulagem obrigatória dos principais alimentos que causam alergias alimentares.
Pela RDC nº 26/2015 da Anvisa, alimentos com alergênicos devem trazer a declaração “ALÉRGICOS: CONTÉM …” (ou “CONTÉM DERIVADOS DE …”). Quando há risco de contaminação cruzada, pode aparecer “ALÉRGICOS: PODE CONTER …”. Ao comprar, procure essa frase perto da lista de ingredientes e leia com calma. Para leite e ovo, verifique se o produto declara “leite”, “ovo” e/ou “derivados”. Receitas mudam: releia em toda compra.
Confira também a entrevista com a Dra Ana Paula Moschione Castro sobre alergias respiratórias.
Crédito
Post publicado em 21 de julho de 2014 por Fabi Fontainha, revisado e atualizado em 13 de fevereiro de 2026. Imagem de abertura criada com auxílio de inteligência artificial.


