Quando o naninha é um problema

Dizem que em casa de ferreiro, espeto de pau. Pois é, na minha casa também é assim (risos). Meu filho nunca usou chupeta e, como fonoaudióloga, eu sempre abominei o uso dela, por isso, não comprei chupeta e nem a coloquei na minha lista de chá de bebê.

Com quase dois meses, Theo ganhou um paninho com carinha de urso (aquele conhecido como “naninha”). Com medo de sufocá-lo, só dei para ele com quatro meses. A minha ideia era dar uma “companhia” para ele enquanto estivesse no berço.

Só que este pano se transformou na “chupeta” do Theo, pois ele começou a sugar a orelha do tal urso constantemente. E claro que ele não teve apenas um, mas vários paninhos, afinal, eu precisava lavá-los sempre que ficavam sujos.

O pano era item obrigatório na bolsa, inclusive a da escola, e servia para os momentos de sono, choro por frustração ou quando ele sentia que tinha pouca atenção.

Apesar de ter todas as razões para tirá-lo, o tempo foi passando até que , assim como o efeito da chupeta, seus dentes começaram a se projetar e a língua também já escapava entre os dentes ao falar. Ele já estava com quase três anos.

E aí veio aquela inquietação misturada com culpa, por isso, iniciei o processo de retirada do paninho, mas de modo bem lento. Por um tempo conseguia levá-lo para a escola com o pano na bolsa (antes ele ia agarrado ao pano), mas no meio da aula ele já pedia ou pegava sozinho.

Há mais ou menos três meses veio a decisão de que aquilo já teria que terminar e eu e meu marido nos comprometemos a sermos firmes e aguentarmos choros e manhas.

Como o Theo tinha uma compreensão ótima, pontuamos que ele já estava grande e seus dentes estavam ficando tortos e que, a partir de então, o pano só serviria para dormir.

Um porém neste momento foi que não colocamos prazo para a retirada total do paninho e, por algum tempo, relaxamos novamente e o pano era solicitado e dado diariamente sem novos questionamentos. Até que nos demos conta disso e resolvemos começar uma nova “batalha”.

Quando recomeçamos esse processo, teve um dia que o pano precisou ser lavado. O interessante é que agora ele só usava um e, como estava molhado, o Theo não pôde dormir com ele e, pasmem, quase nem reclamou. Por quatro dias pediu o pano e eu falava sempre que estava molhado (claro que agora essa era a nova estratégia para ele esquecer o pano). E não é que assim ele largou seu apetrecho?

Passado uns dois dias, ele pediu novamente o pano e explicamos que ele não precisava mais dele. Theo aceitou sem questionamentos. No total levamos uns cinco meses neste processo todo e tenho certeza que poderia ter sido em menos tempo, mas isso só reforçou o que sempre digo: ao tomarmos uma decisão de como conduzir alguma questão precisamos ser firmes e persistentes. Assim, sempre dá certo.

Maria Carolina Furlan é fonoaudióloga especialista em Linguagem. Em consultório, atende crianças e adultos nas áreas de Linguagem Oral, Leitura e Escrita/Dislexia, Voz e Motricidade Orofacial (mastigação, deglutição e respiração). Mamãe do Theo, de 3 anos, ela também vive os dilemas e desafios da maternidade, como lidar com a imprevisibilidade e conseguir cuidar do seu lado “ser mulher”. Perguntamos o que ela gosta de fazer nas horas vagas, e ela brincou: “O que é isso mesmo???” (risos), mas quando tem algum tempo livre, ela gosta muito de ler.

Mamães, interessante esse tema, não é? A gente tem imagina que a criança pode se apegar demais a um simples paninho (risos).

Beijos, da Mamãe Prática Mari

Foto: Maria Carolina Furlan (Theo com seu paninho vermelho e a cachorrinha Meg)

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2 comentários em “Quando o naninha é um problema”

  1. Estou com o mesmo problema, minha filha chupa a naninha. E acredito que isso tenha feito ela ter tosses noturnas. Comecei a retirada e não está sendo fácil. Ela tem 1 ano e 6 meses. Eu ia esperar mais um tempo, mas acho que está atrapalhando no sono.

    1. Oi Patricia, imagino a sua preocupação… Quando algo não está fazendo bem para os nossos filhos o melhor é mudar a situação. Espero que consiga resolver logo. Beijos, da Mamãe Prática Fabi

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