Filhos e os Amigos Imaginários

Queridas leitoras, um dos assuntos que deixam os pais mais apreensivos é quando os filhos pequenos começam a ter um ou mais “amigos imaginários”. É difícil saber como agir nessa situação, mas a nossa psicóloga colunista explica o que representam esses amigos invisíveis na vida das crianças e como podemos lidar com a situação de forma bem tranquila. Com a palavra, Dery Leão:

Amigos imaginários

É com imenso prazer que, após um longo período de férias, volto a conversar com mamães e papais que acompanham o blog Mamãe Prática.

E hoje, atendendo a sugestão de uma mamãe, vamos conversar sobre “amigos imaginários, invisíveis ou ocultos”.

Faz parte do desenvolvimento infantil, dos dois aos seis anos de idade, a criança criar amigos invisíveis que brincam e conversam com ela. Isto acontece porque esta é a fase do “pensamento mágico”, em que tudo é possível acontecer; as situações são resolvidas num passe de mágica. Então, não é preciso se preocupar e nem mesmo achar que seu filho tem algum tipo de problema.

A experiência do “faz de conta” é muito saudável, pois ajuda a criança a desenvolver sua capacidade de lidar com a realidade. Através do brincar ela imagina diálogos, soluções, expressa seus sentimentos, temores e fantasias que de outra forma não conseguiria expressar. O amigo imaginário pode ser fantasiado em sua mente, pode ser um brinquedo ou um objeto, que darão voz a uma parte de si mesmo.

Quando o amigo invisível aparece?

Geralmente quando muda a rotina da criança, quando algo novo acontece, como mudança de residência, nascimento do irmãozinho, início da vida escolar e outras situações que exigirão novos recursos emocionais. São situações que mobilizam na criança sentimentos de angústia, expectativa e ansiedade.

Desta forma, a criança vai criar diálogos sobre a questão vivenciada. Podemos entender que a brincadeira vai ajudar a criança a construir a realidade, ampliar os papéis sociais e seu vocabulário, além de imaginar várias possibilidades de soluções, assimilar e adaptar a realidade.

Gostaria de exemplificar com a história de uma garotinha de quase três anos de idade que entrou na escolinha e após algumas semanas sua mãe começou a ouvi-la no quarto brincando que era a tia “Maria” da escolinha, que colocou uma criança de castigo no balcão. Sua “amiguinha” estava muito assustada, pois se ela não comesse toda a comida iria para o balcão.

A mãe intrigada com a história aproximou-se, sentou-se no chão ao lado da filha e começou a conversar sobre a situação. Ela percebeu que o que estava acontecendo com a “amiguinha” da filha era o reflexo do que a menina estava vivenciando na escola. Foi ficando claro que a filha estava falando si mesma. A mãe foi até a escola e constatou que era realmente esse o procedimento utilizado.

Como nós, pais, podemos lidar com os amiguinhos invisíveis?

O exemplo citado acima, nos oferece uma simples e agradável maneira de lidar com os amigos invisíveis, que é entrar na brincadeira e explorar o tema abordado pela criança. Acho que o mais importante é os pais saberem que os filhos estão falando de si mesmos de uma forma lúdica, então cabe aos pais aprenderem esta linguagem dos filhos de maneira criativa, leve e divertida. Através de um personagem criado pela criança uma situação real foi resolvida. Não devemos ficar estimulando a existência deles, nem criticá-los ou dizer para a criança que é coisa da cabeça dela, nem tão pouco ignorar totalmente.

Cabe a nós, pais, observar sempre de maneira sutil e respeitosa o mundo de nossos filhos e interagir sem assustar ou reprimir os pequenos.

O amigo imaginário tem também a função de amparar a criança nos seus momentos de ansiedade e serve como uma válvula de escape em relação aos seus sentimentos. É desta maneira que a criança vai aprendendo a lidar com suas emoções.

Até quando?

Os amiguinhos imaginários desaparecem naturalmente por volta dos sete anos de idade e as crianças os suprem com a presença de um amigo real.

Alerta!

Quando a criança se priva do convívio com outras crianças para ficar com o amigo invisível, quando se isola ou, ainda, com sete, oito anos de idade ela continua usando este recurso, recomenda-se consultar um psicólogo para ver o que realmente está acontecendo.

Bem, espero ter esclarecido um pouco mais a respeito desta fase do desenvolvimento infantil e aguardo novas sugestões de temas das mamães e dos papais.

Beijos e até a próxima!

Dery Leão
dery.leao@gmail.com

Foto: Arquivo PessoalDery Leão é psicóloga, especialista de Terapia de Família, Casal e Indivíduo pela PUC de São Paulo (SP). Mãe da Brenda, de 20 anos, ela adora o desafio da maternidade, pelo fato da necessidade de se transformar como mãe à medida que sua filha se transforma também. “É uma experiência fantástica e instigante ! A gente cresce à medida que os filhos crescem…”, afirma.

Também perguntamos a ela o que mais gosta da maternidade, vejam que linda a sua resposta: “É a oportunidade que tenho de me rever como filha, ponderando os papéis de mãe e filha, ou seja, através da maternidade consigo ser um ser humano melhor.”

Nas suas horas vagas, Dery gosta muito de cozinhar e de receber amigos, além de  ler um bom livro, assistir filmes, ir ao teatro, cinema e a shows. E agora ela também dedica uma pouco de seu tempo para escrever às leitoras do Mamãe Prática.

Mamães, gostaram do tema? Fiquem à vontade para enviar as suas perguntas e dúvidas para a especialista, para o e-mail: dery.leao@gmail.com

Beijos, da Mamãe Prática Mari

Foto via mundohispanico.com 

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