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Amamentação sem mistério: especialista esclarece 10 dúvidas comuns

Olá meninas! Lembro bem como foi o início da minha amamentação. Eu sempre soube que algumas mães têm dificuldade para amamentar, mas eu imaginava que logo aprenderia a dar de mamar para o meu filho (quase instintivamente). Só que não foi bem assim…

Quando meu filho nasceu, ainda no hospital, meu leite começou a empedrar e o Serginho não conseguia mamar. Fazer a pega correta parecia quase impossível, o peito doía muito, as fissuras apareceram e o desespero tomou conta de mim!

Para piorar, o nervoso e o estresse prejudicaram ainda mais essa situação, então, fui para casa totalmente frustrada e angustiada por não conseguir alimentar meu filho.

Você também passou por isso ou está vivendo essa situação? Saiba que você não está sozinha!

Felizmente, tive a chance de chamar uma consultora de amamentação que foi quem me socorreu e, com muita paciência, me ajudou a fazer a pega correta. Logo percebi que amamentar era um processo de aprendizado tanto para mim quanto para meu filho.

Se eu pudesse voltar no tempo teria me preparado melhor para a amamentação.

Durante a gravidez, a gente fica tão envolvida com o enxoval e o quartinho do bebê que não percebe que é importante dar atenção a outros detalhes, como a amamentação.

Talvez você esteja se perguntando: ok, mas como posso me preparar para a amamentação se o bebê ainda nem nasceu? Ou seu bebê já está aí nos seus braços e você tem que lidar com tudo ao mesmo tempo?

Eu acredito que a melhor forma de a gente se preparar para algo novo, como cuidar de um bebezinho e amamentar, é por meio do conhecimento. Se a gente lê bastante sobre o assunto, buscando fontes confiáveis, vamos nos sentir mais seguras para lidar com esse momento.

Pensando nisso, conversei com a especialista em amamentação Renata Vargas, que é técnica de enfermagem. Ela esclarece pra gente as principais dúvidas que geralmente temos no início da amamentação.

1. Como saber se meu bebê está mamando corretamente? 
Renata Vargas: O bebê deve ficar bem de frente para as mamas, com a cabeça e o tronco alinhados, as nádegas apoiadas, o queixo tocando o seio, a boca bem aberta e o lábio inferior voltado para fora. Certifique-se de que a auréola do seio está mais visível acima da boca do bebê do que abaixo.A boquinha da criança deve estar em formato de boquinha de peixe. Verifique se as bochechas da criança estão arredondadas e preste atenção se há algum barulho além do da deglutição.

2. É verdade que o bebê precisa colocar quase a aréola inteira dentro da boca para mamar?
Renata: Sim, o bebê deve abocanhar o máximo possível da aréola. Isso evita que você sinta dores ao amamentar e também evita futuras lesões, já que uma pega incorreta ocasiona em mamilos rachados e doloridos. Além disso, se o bebê apenas chupar o bico da mama, ele não conseguirá extrair o leite corretamente

3. Sentir dores no peito durante a amamentação é normal?
Renata: Se a pega do bebê estiver correta, bem como se estivermos segurando ele corretamente, a amamentação não deve doer mas deve ser um momento prazeroso de interação com o bebê. Algumas mulheres podem ser mais sensíveis e sofrer com a mama inchada nessa fase.Se houver muito desconforto na hora da mamada, é importante procurar um ginecologista para verificar se há sinais de infecção. Mulheres que estão amamentando pela primeira vez podem ter a pele da aureola mais fina e sensível e inicialmente a mulher sentir um leve desconforto nos primeiros dias.

4. Tenho rachaduras no peito que provocam dor. O que faço?
Renata: As fissuras no bico do peito são comuns no primeiro mês, especialmente entre mães de primeira viagem. A pele da aréola é muito fina e sensível e os fortes movimentos de sucção do bebê podem causar rachaduras e muita dor. Trate as rachaduras ao mesmo tempo em que soluciona a causa delas (pega incorreta; posição errada do bebê e/ou sua; se a pele da auréola estiver muito fina por você estar passando hidratantes nesta região) e o ato de amamentar será muito prazeroso.

5. Dá para evitar as rachaduras?
Renata:
A fim de não tirar a proteção natural da pele da aréola, não utilize cremes, sabonetes ou loções nessa região e evite esfregar ou massagear os mamilos. Passar o próprio leite depois das mamadas limpa e protege a aréola, já que o leite materno é também um ótimo cicatrizante. Ensinar o bebê a abrir bem a boca na hora de abocanhar e amamentar é o mais importante para prevenir e evitar rachaduras.

6. Por que o leite empedra?
Renata: O leite empedrado (o ingurgitamento mamário) acontece quando há o esvaziamento incompleto das mamas por causa da sucção inadequada ou do esvaziamento incompleto do peito.A mulher no início da amamentação geralmente produz mais leite do que o bebê precisa, ou seja, geralmente há uma produção excessiva de leite. Isso deixa os seios rígidos, pode causar muita dor e até febre. Se não for tratado logo, o problema pode evoluir para uma mastite, que é uma inflamação da mama, que deixa os seios quentes, vermelhos, doloridos e, às vezes, com pus.

7. O que fazer quando o leite empedrar?
Renata: A prevenção e o tratamento para o leite empedrado (mama ingurgitada) são simples: basta deixar que o bebê mame bastante, ou seja, amamentar em livre demanda e esvaziar o peito através de uma ordenha manual, retirando o leite com as mãos. Inclusive, se a mama estiver muito cheia, provavelmente você tenha que esvaziar um pouco a mama antes de oferecê-la ao bebê, já que mamas ingurgitadas atrapalham ou até impedem o bebê de conseguir abocanhar a mama e sugar corretamente.

8. Bolsa de água quente ajuda a desempedrar o leite? 
Renata: Mito, o ideal é realizar massagens e retirar o excesso de leite quando necessário. A água quente estimula ainda mais a produção. Bolsas de água fria, pelo contrário, diminuem a vascularização e a produção de leite, mas não devem ser usadas por mais de 5 minutos, sob o risco de, por efeito rebote, a produção acabar se intensificando. O ideal é tirar o leite com as mãos até a dor desaparecer.

9. Quanto tempo deve durar cada mamada?
Renata: Não há um tempo padrão, pois varia muito de criança para criança, já que cada uma tem o seu jeito próprio de mamar. Geralmente cerca de dez minutos em cada peito são suficientes, mas nos primeiros dias, quando o hábito começa a ser estabelecido, o tempo pode ser bem maior.

10. É aconselhável acordar o bebê para mamar durante a madrugada?
Renata: Se você está se fazendo esta pergunta é porque provavelmente faz parte do grupo da minoria que tem a sorte de poder dormir toda a noite sem ser interrompida pelo baby; os médicos recomendam que se fique tranquila. Se o bebê estiver bem e ganhando peso normalmente, não há a necessidade de acordá-lo.

 

Gostou das dicas? Se puder, compartilhe esse post com suas amigas – mamães e futuras mamães – e nos ajude a levar essas informações de qualidade sobre amamentação para mais pessoas.

Beijos, da Mamãe Prática Fabi

Foto: Lidi Lopez Fotografia

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17 ideias sobre “Amamentação sem mistério: especialista esclarece 10 dúvidas comuns”

  1. Amei seu post e suas dicas. Já passei por uma amamentação de pouco leite e pouco tempo. Agora quero me preparar melhor. Espero que a experiência seja melhor. Bjs

  2. Ótimas dicas. No meu caso, como eu fiz o curso de gestantes e tive o apoio dela foi mais fácil. Realmente a melhor maneira é a gente se preparar, ler bastante e tentar ficar tranquila.
    Muito bom esse post.
    beijos
    Chris

  3. A amamentação foi bem tranquila. É incômodo no começo mas depois é maravilhoso. Adorei amamentar. As enfermeiras di hospital foram excelentes pra ensinar e isso ajuda muuuito. Sei quepara muitas mulheres não é fácil e por isso o seu post é ótimo. Ajuda muito ler sobre o assunto. Parabéns. Gostei muito.

  4. Ótimo post, super esclarecedor, muitas mulheres tem dificuldade e nem sempre tem que as oriente, aqui quando Gui nasceu no hospital ele mamava que era uma beleza, a primeira noite em casa deu um pouco de trabalho e na manhã seguinte voltei ao hospital e passei pelas enfermeiras da maternidade mesmo, estava colocando ele na posição certa, ele pegava certo porém como tinha muito leite o bico do meu peito ficava muito duro e ele tinha que fazer muito esforço, aonde acabava mamando pouco pois se cansava e logo começava a chorar, ai me auxiliaram a ordenhar um pouco antes de coloca-lo no peito para “amolecer” e ele não ter tanta dificuldade e a partir disso facilitou muito .

    Bjs Mi Gobbato
    http://espacodasmamaes.blogspot.com.br

  5. Amamentação é um assunto delicado. Amei como a consultora tirou as dúvidas. Sem dúvida de grande valia. Aqui eu tomava sol 10min por dia e me ajudou muito quando amamentei o Pedro, além da Lansinoh! rs
    Beijos!!!

  6. Oi Fabi
    Adorei o post e o blog!
    Com minha primeira filha amamentei muito pouco, só três meses e tive muitas dificuldades e dúvidas.
    Com o meu segundo filho, mais experimente e menos ansiosa amamentei até o pequeno completar um ano e nove meses. Até os seis meses nem água ele tomava, foi ótimo!
    Bjs e até a próxima

    http://www.maeliteratura.com

  7. Amei o post linda! Eu consegui amamentar por um bom tempo os meninos, mas o Jean com 3 meses tive um problema em uma glândula e o médico cortou a amamentação de um lado, imagine o meu desespero, primeiro filho, sonho de amamentar por mais de 1 anos e no 3º mês corta? Foi complicado, mas mesmo assim ele continuou a amamentação em apenas um lado até o médico liberar e depois de liberado ele não aceitou mais, ficou até 9 meses mamando em apenas 1 lado. E depois que o João nasceu minha preocupação era se ele pegaria as duas, e pegou e ainda bem que consegui amamentar exclusivo até 6 meses. 🙂
    Beijos, Laura Carvalho
    http://www.maede2.com.b

  8. Ola…. poderiam passar o nome e o telefone da pessoa que te ajudou na amamentação, estou precisando de ajuda e não consigo um contato.
    Obrigada

    1. Olá Thais, não sei em qual cidade você está. Aqui em São Paulo quem me ajudou (e me socorreu) foi a Fabíola Cassab, do Matrice: (11) 99622-3737 e https://matrice.wordpress.com/
      Em Curitiba, minha irmã foi atendida pelo PROAMA (Programa de Aleitamento Materno) da prefeitura local: http://www.saude.curitiba.pr.gov.br/programas/saude-da-crianca/proama.html

      Espero que você consiga ajuda para superar as dificuldades. Beijos, da Mamãe Prática Fabi

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