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Trombose venosa: cuidados na gravidez e pós-parto

Olá meninas! Trombose venosa é um tema sério e, muitas vezes, evitamos falar, mas é importante estarmos atentas às suas causas e sintomas, principalmente porque a gravidez e o pós-parto são fatores de risco para essa problema circulatório.

Por isso, divido com vocês esse artigo super completo e explicativo que o médico Rogério Abdo Neser, especialista em cirurgia vascular e professor da Santa Casa de São Paulo, preparou especialmente para o nosso blog. Com a palavra, o Dr. Rogério:

Trombose venosa na gravidez (e após o parto)

Antes de mais nada, você sabe o que é trombose venosa?

Você já  deve ter ouvido falar e provavelmente se assusta com a palavra “trombose”. Antes de entrar propriamente no assunto relacionado à gravidez, cabem algumas considerações.

Todos sabem que nas veias e nas artérias circula o sangue (óbvio!!!), e nos seres vivos o sangue está numa fase fluida, ou seja, líquida. E tem que ser assim para que haja circulação e sejam realizadas as trocas de nutrientes e oxigênio com as células teciduais. Entretanto, no sangue existem proteínas e células (especificamente as plaquetas) que podem se aglutinar em determinadas condições, formando um coágulo, que podemos dizer que é o sangue em uma fase sólida.  Isto só deve acontecer quando ocorre um ferimento numa veia ou artéria, para evitar uma hemorragia.

Quando a formação do coágulo acontece dentro de um vaso sanguíneo e interrompe a circulação, chamamos trombose. Se ocorrer em uma veia, denomina-se de trombose venosa, caso ocorra em uma artéria, chamamos trombose arterial, e estas condições são muito diferentes e com consequências muito diversas.

Na grande maioria das vezes, aquilo que comumente é chamado de trombose relaciona-se à trombose venosa profunda, pois ocorre, como o próprio nome sugere, numa veia profunda, e em geral nos membros inferiores.

Existem várias condições que são consideradas fatores de risco para trombose venosa profunda, a gravidez é uma delas, pois ocorrem modificações hormonais e anatômicas  no organismo feminino nesta fase que elevam o risco da formação de coágulos nas veias.

Só para se ter uma ideia, na gravidez há um risco de trombose venosa 5 a 10 vezes maior que numa mulher nas mesmas condições de saúde e mesma faixa etária fora do período gestacional. No pós-parto a coisa é ainda pior, o risco aumenta 15 a 35 vezes. Esse risco só começa a cair após a sexta semana depois do parto e atinge os níveis pré-gestacionais lá pela 12ª semana.

“…o risco de trombose venosa é 5 a 10 vezes maior nas grávidas… e 15 a 35 vezes maior após o parto…”

Se você ficou chocada, calma, esses números podem parecer assustadores mas em valores absolutos não são tão graves assim. Estima-se que ocorra entre 0,5 a 2,2 casos de trombose venosa para cada 1000 partos, dependendo da população estudada, envolvendo desde casos simples (os mais comuns) até aqueles bem graves.

Por que se preocupar com a trombose venosa?

A trombose venosa profunda pode gerar complicações, por isso nos preocupamos com o diagnóstico e tratamento precoces e, principalmente, com a prevenção.

As duas principais complicações relacionadas ao evento, uma aguda e outra crônica, são respectivamente a embolia pulmonar e insuficiência venosa crônica.

Embolia pulmonar

A embolia pulmonar ocorre quando há o desprendimento de um fragmento do coágulo do local da trombose e esse trombo então se desloca pela circulação até se alojar nos pulmões. A embolia pode ser um evento sem sintomas, ou com sintomas muito leves, ou até levar a morte, dependendo da extensão do coágulo que se desprende.

Se ocorrer, isso geralmente acontece até o 14o. dia do início dos sintomas, o período mais crítico para a doença. Caso seja diagnosticada precocemente e adequadamente tratada, a trombose venosa tem uma evolução geralmente benigna, sem provocar embolia pulmonar. Já em alguns casos, o primeiro sintoma já é a embolia.

Insuficiência venosa crônica

A complicação crônica, aquela que ocorre tardiamente, não leva à morte, porém pode ser bastante desagradável e se manifestar pelo aumento de varizes na perna acometida (geralmente as tromboses venosas ocorrem nas pernas) e pode levar ao desenvolvimento de úlceras varicosas, aquelas feridas relacionadas às varizes.

Como prevenir a trombose na gravidez…

Como mencionei logo no início do artigo, a gravidez é um dos fatores de risco para a trombose venosa, e embora seja relativamente pouco frequente, algumas medidas devem ser tomadas para se minimizar a chance da ocorrência do problema.

Muitas vezes negligenciadas, atitudes simples são suficientes para a maioria das gestantes:

  • Mantenha-se no peso adequado para sua idade gestacional. Isso ajuda a circulação do sangue, especificamente nas veias, dos membros inferiores, e consequentemente pode diminuir a ocorrência da trombose.
  • Exercite-se (sempre sob orientação do seu obstetra), pois a movimentação das pernas faz um circulação venosa mais eficiente e também reduz a chance de desenvolver uma trombose
  • Usar meias elásticas não previne 100% dos casos de trombose, mas pode também ajudar a manter um maior fluxo sanguíneo para as veias profundas e ajudar a circulação venosa.
  • Procure não permanecer imóvel por longos períodos, sentada ou deitada, pois isso reduz a velocidade da circulação venosa nas pernas e favorece a trombose.

Se houver suspeita, a trombose deve ser pesquisada o mais breve possível, pois como foi mencionado, as primeiras duas semanas após o início dos sintomas são críticas, e se confirmado o diagnóstico o tratamento deve ser instituído imediatamente. A possibilidade da ocorrência da trombose venosa deve ser levantada sempre que houver dor na perna, sem melhora, e inchaço além do habitual. Estes sintomas em geral aparecem apenas em uma das pernas, dificilmente a trombose ocorre nas duas pernas ao mesmo tempo.

A confirmação é feita por um exame, o ultrassom com Doppler.

Tratamento da trombose venosa

O tratamento de escolha da trombose venosa é feito através da administração de anticoagulantes, medicamentos que reduzem a coagulabilidade do sangue, e que podem ser administrados de várias formas, endovenosa, injeções subcutâneas ou via oral, dependendo do caso e de acordo com a experiência de cada médico. O tempo de tratamento, em geral, é de 3 a 6 meses.

Desafios no tratamento da trombose durante a gravidez

Na opinião da maioria dos especialistas, e na minha também, medicamentos devem ser usados com muita cautela durante a gestação.

O tratamento da trombose em grávidas é um pouco mais complexo do que nas não grávidas, pois alguns medicamentos não podem ser administrados durante a gestação, existe um risco adicional caso ocorra um sangramento, e caso ocorra um trabalho de parto precoce o risco de hemorragia é maior.

Os anticoagulantes orais são contraindicados durante a gestação, assim por toda a gravidez devem ser administrados anticoagulantes injetáveis por via subcutânea. As preparações mais modernas já vêm prontas e montadas numa seringa e agulha descartáveis, e aquelas mulheres mais corajosas podem aplicar em si mesmas.

Habitualmente o parto dessas pacientes é cesárea e o anticoagulante deve ser interrompido 24h antes, e reiniciado de 12 a 24horas após.

Após o parto…

O período de 4 a 6 semanas após o parto é mais arriscado ainda do que o período gestacional no que se refere ao risco de desenvolvimento de trombose venosa. Esse risco diminui gradativamente e atinge os níveis pré-gestacionais por volta da 12a. semana. Portanto, o tempo de tratamento vai se estender até pelo menos a sexta semana e à partir daí o médico decidirá se o tratamento deve continuar e por quanto tempo. A boa notícia é que após dar à luz, os medicamentos orais já podem ser introduzidos.

Espero ter esclarecido o assunto. Tem alguma dúvida? Mande suas sugestões e comentários.

Rogerio Abdo NeserO médico Rogério Abdo Neser é especialista em cirurgia vascular e referência no tratamento das doenças vasculares. Também é professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e autor do site Varizes.net.br.
Meninas, adorei as orientações de prevenção da trombose venosa. Com certeza essas dicas servem para todas nós, mesmo quem já passou pela fase da gravidez e pós-parto!

Gostou do texto? Deixe seu comentário e compartilhe essas informações com as suas amigas também.

Veja também: “Varizes na gravidez: entenda as causas e como preveni-las”

Beijos, da Mamãe Prática Fabi

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16 ideias sobre “Trombose venosa: cuidados na gravidez e pós-parto”

  1. Sou de Sobradinho Bahia .Tive uma trombose.nas duas.pernas antes e depois do parto cesariana.Até hoje tenho sequelas na perna esquerda depois de.12 anos

  2. Tive uma hemorragia com 13 dias pós Parto, não tive nenhum sintoma, apenas a hemorragia grave. Inicialmente retirei o utero e depois de 2 dias outra hemorragia tive que tirar trompas e ovários. Poderia ser uma trombose? Pois descobri a gravidez com 22 semanas e durante este tempo todo estava usando o anticoncepcional

    1. Oi Amanda, enviamos a sua dúvida para o Dr. Rogério Abdo Neser, especialista em cirurgia vascular e professor da Santa Casa de SP, que esclareceu o seguinte: “Hemorragia não é um sintoma usual de trombose venosa. Pelas informações que você está passando, não acredito que este seja seu problema, porém para que eu possa constatar adequadamente, sugiro que faça uma consulta presencial”.

  3. Trombose vascular…na minha gestação tive sérias dores e enchaso na perna esquerda e dês do começo achei k poderia ser trombose mais meu médico do pré natal disse k era normal . após meu parto de cesária dois dias fui diagnósticada que estava com trombose pós parto meu mundo desabol pois ainda tô no ospital internada a 5 dias com meu bebê …vcs teria como dar uma explicação melhor pra mim ???

    1. Olá Gessica, tudo bem? Imagino a sua angústia nesse momento tão delicado com um bebê recém-nascido e tantas mudanças. Mas tudo vai dar certo, estou torcendo pela sua recuperação para que possa estar logo na sua casa com seu filho.

      Enviei a sua dúvida para o Dr. Rogério Abdo Neser, especialista em cirurgia vascular e professor da Santa Casa de São Paulo, que respondeu o seguinte: “Gessica, o inchaço nas pernas é muito comum durante a gravidez, portanto na maioria das vezes não podemos caracterizar como trombose e apenas os médicos que estão fazendo o acompanhamento podem avaliar se é necessário um exame complementar. Já no período pós parto, a trombose é mais frequente ainda. Caso tenha sido constatado o diagnóstico de trombose, geralmente é necessário o tratamento imediato. Entretanto, se é necessária a permanência hospitalar ou não, só a equipe envolvida pode responder. Caso queira alguma outra opinião após a alta, sugiro marcar uma avaliação presencial”

      Boa sorte querida, beijos, da Mamãe Prática Fabi

  4. Gostaria de saber se não tem a possibilidade de eu ter parto normal! Sou gestante de 25 semanas estou tratando de trombose e queria muito ter minha baby de parto normal! Posso tentar ou muito arriscado?

    1. Boa tarde Morgana,
      Não conheço seu caso, mas a trombose em tratamento é sim um fator limitante a se fazer um parto normal. Mais informações a respeito, só vendo seus exames e fazendo uma avaliação presencial.

      Tenho outras informações no blog: varizes.net.br

      Dr. Rogério Neser

    2. Boa tarde Morgana,
      Não conheço seu caso, mas a trombose em tratamento é sim um fator limitante a se fazer um parto normal. Mais informações a respeito, só vendo seus exames e fazendo uma avaliação presencial.

      Tenho outras informações no blog: varizes.net.br

      Dr. Rogério Neser

  5. Olá
    Eu tive um coágulo cerebral no sétimo par à 5 anos atrás, depois de uma gestação difícil da qual não foi até o fim.
    Tive uma certa paralisia facial e membros.
    Não tive mais nada nesses 5 anos além de enxaquecas.
    Hj estou com 35 semanas de gestação e voltei a sentir dores de cabeça forte.
    Queria saber se posso ter um parto normal, se tem que ser Cesária, se corro algum risco?…
    Desde já obrigada.

    1. Olá Fernanda,
      A trombose venosa nas perna é algo muito diferente de um coágulo cerebral.
      Não posso afirmar sobre o risco de um parto normal sem conhecer as circunstâncias do seu problema de cinco anos atrás e seus exames da época.
      Sugiro conversar com a equipe neurológica que a assistiu na época e seu obstetra.

      Dr. Rogério Neser
      varizes.net.br

  6. Olá sou gerlane estou gravida de 5 meses e fui diagnosticada com trombosé venosa profunda na perna esquerda tenho 25 anos estou tomando anticuagolante clexsane meu maior medo e de embolia pulmonar .corro este risco?

  7. Olá Gerlane,
    De maneira geral, o risco de embolia vai diminuindo progressivamente com o tempo em função do tratamento. Porém para afirmar se você apresenta um risco de embolia, preciso de mais detalhes, que só podem ser efetivamente conhecidos em uma consulta médica. São importantes as informações sobre os fatores envolvidos na trombose, extensão da trombose, se o tratamento está adequado…

    Dr. Rogério Neser
    varizes.net.br

  8. Olá sou Elaine tive uma trambose a 5 dias só que ela já era antiga só que agora que tive o susto daí internada descobri que tô grávida de 7 semanas tô desesperada mas já tô tomando anticoagulante desde que fui pro hospital quais e o risco posso perder meu neném ?

    1. Olá Elaine, não podemos analisar seu caso sem uma avaliação médica. O ideal é que você procure um ginecologista/ obstetra, além do vascular, para fazer o acompanhamento de perto da gravidez, já que você acabou de ter um quadro de trombose e se trata de um quadro delicado. Boa sorte querida! Beijos, da Mamãe Prática Fabi

  9. Olá. Tive trombose e embolia pumonar no final de 2014, pois usava anticoncepcional e imobilizei o pé devido a uma entorce. Estou com 34 anos e queria engravidar. Obrigatoriamente terei que tomar o anticoagulante durante a gravidez?

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