Quando a criança só quer dormir com os pais

Hoje é um dia especial, hoje é dia de estreia: estreia da nossa nova colunista no blog Mamãe Prática. A psicóloga infantil Ana Flávia Fernandes vai conversar com vocês sobre temas que deixam muitos pais de “cabelo em pé”, como as crianças que não querem, de jeito nenhum, dormir em seus próprios quartos. Com a palavra, a querida Ana Flávia:

Quando a criança só quer dormir com os pais

A hora dos filhos dormirem na própria cama é um momento de mudança em que a criança está caminhando em direção à autonomia e independência dos pais. Nesse processo é natural que algumas crianças sintam-se inseguras. Porém, elas precisam do nosso apoio para aprender a dormir em um espaço somente delas e para elas. É uma nova habilidade a ser desenvolvida e nossa ajuda com amor e respeito é essencial para elas se acostumarem com esse novo hábito. Veja algumas posturas que podem auxiliar nesse processo:

1. Seja um espelho positivo
Nós, os adultos, somos como um grande espelho que reflete o comportamento das crianças. Estimulá-las a entrar em um movimento mais sereno para dormir exige da gente uma atitude menos acelerada também. Alimente sua calma de modo que isso diminua o ritmo do seu filho. Você é o porta-voz da tranquilidade, então, desacelere. Seja ágil, mas não agitado.

2. Certifique-se de que seu filho tem um ritual regular para dormir
Ter uma rotina que facilite a chegada do sono é importante nestes primeiros momentos de aprendizado. A repetição desse ritual faz com que a criança se sinta segura, pois sabe qual o próximo momento que ela viverá.

3. Crie um senso de familiaridade com a nova rotina
Às vezes perdemos o senso de realidade quando estamos agitados ou com medo. Por isso, é importante que a criança participe das escolhas desse processo: pergunte, por exemplo, qual lençol ela prefere, pois dessa forma vai se construindo, pouco a pouco, uma sensação amistosa de familiaridade com essa nova realidade de a criança dormir na sua própria cama.

4. Ofereça segurança e aconchego
Além da sua presença física, conecte a criança com objetos concretos. Se for um brinquedo perigoso, evite-o, mas se remeter à afetividade, então o coloque próximo da criança sempre que ela for dormir. Isso ajuda a transferir a sensação emocional ruim do medo para o objeto. Algumas crianças adormecem facilmente após a leitura de um livro. Outras preferem que os pais estejam sentados ao lado delas, sobre a cama. Siga o melhor caminho para que seu filho sinta que não está sozinho nessa, que vocês vão enfrentar isso juntos e que estará por perto se ele precisar.

5. Traga a criança para o presente
É possível que ela tente conversar ou demonstre agitação para não dormir. Nesses casos, uma comunicação curta e direta ajuda o cérebro a codificar melhor, já que ele está sendo preparado para funcionar em baixa velocidade. Então, diga, por exemplo, se ela quiser conversar: “Olha, esse assunto a gente conversa amanhã, porque agora é hora de dormir”. Ou seja, ensine que o momento é de deitar, fechar os olhos, descansar o corpo e dormir.

6. Contenha fisicamente
Dependendo do tipo de agitação da criança, é possível que ela queira sair da cama e uma alternativa pode ser contê-la. O ideal é fazer isso de lado, pois de frente pode criar um embate e por trás pode aumentar a desconfiança dela. Uma aproximação gentil, carinhosa e um abraço de lado funcionam para dar a sensação de aconchego e segurança que a criança precisa.

7. Ofereça apoio emocional
Ao verem os pais saindo de seu quarto, algumas crianças começam a chorar. Ou então acordam durante a noite. Nesses casos, faça tudo o que simbolize que você está com ela e estará por perto sempre que ela precisar, mas procure fazer isso na cama ou no quarto da criança. Então, explique que cada um tem a sua cama, seu lugar de descansar e que ela não está sozinha, ou seja, que você sempre estará por perto quando ela precisar. Se a criança for até o seu quarto durante a noite, pergunte por que ela não quer dormir e a leve para seu quarto, mostrando segurança e que não há o que temer (se ela falar de monstros, por exemplo).

A criança que percebe que está sendo cuidada e que tem esse suporte da gente de um lugar seguro, que fornece esse acolhimento e coragem para seguir em frente, aos poucos também vai desenvolvendo essa segurança dentro do coração dela. Assim, poderá fechar seus olhos e ter a garantia que ao acordar poderá aproveitar cada nova situação que está acontecendo na vida dela com o coração cheio de paz e tranquilidade.

Essa mudança só será traumática se esse processo vier acompanhado de raiva, agressividade e desrespeito. Caso contrário, é possível transmitir para a criança que essas mudanças são decorrentes do seu processo de crescimento, que fazem parte de cada novo movimento vivido. A orientação confiante, segura e amorosa abre espaço para a autonomia da criança surgir gradativamente e então todos podem caminhar, não mais do lugar de dependência total uns dos outros, mas como parceiros dessa jornada da vida.

Ana Flavia FernandesPsicóloga Infantil com especialização em Psicodrama, Ana Flávia Fernandes atende as crianças e suas famílias há muitos anos. “Para cuidar bem dos pequenos, também é preciso cuidar dos adultos a sua volta”, explica. Muito querida e atenciosa, ela também nos brinda com a sua sabedoria e experiência clínica no blog Terapia de Criança.

Gostaram da novidade mamães? Nós amamos! Outra dica sobre o tema é levar seu filho para escolher novos lençóis para sua cama (e/ou até a própria cama, para aqueles que estão deixando o berço). Eu fiz isso e a minha pequena adorou!

Beijos, da Mamãe Prática Mari

Foto/Abertura: Csaba Magdo/freeimages

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3 ideias sobre “Quando a criança só quer dormir com os pais”

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