hipotireoidismo na gestação

Hipotireoidismo na gestação: conheça as novas diretrizes

Olá meninas! Um dos temas mais lidos e comentados no blog Mamãe Prática é sobre o hipotireoidismo na gestação. Para vocês terem uma ideia, desde que publiquei o primeiro texto, em 2013, contando o impacto da doença na minha gravidez, o assunto já alcançou mais de 80 mil visualizações no nosso site.

E porque tanto acesso?

Certamente porque, cada vez mais, milhares de mulheres vêm recebendo o diagnóstico do hipotireoidismo nessa fase tão delicada que é a gravidez, o que gera muita preocupação quanto ao desenvolvimento do bebê e a evolução gestacional.

Estudos estimam que as disfunções tiroidianas (hipotireoidismo e hipertireoidismo) ocorrem em 3% a 4% das gestantes, enquanto as formas subclínicas dessas doenças podem atingir cerca de 10% das mulheres.

Novidades

Recentemente, a Associação Americana de Tireoide (American Thyroid Association – ATA) publicou uma revisão das diretrizes sobre as doenças da tireoide em gestantes. Dada a importância do assunto, fiz questão de dividir essas informações com vocês.

O tema é um pouco técnico, mas vou tentar deixá-lo o mais simples possível com a ajuda do endocrinologista João Roberto Maciel Martins, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM – regional SP), que concedeu uma entrevista para nós.

A tireoide na gravidez

Segundo o especialista, a gravidez tem impacto profundo na glândula da tireoide e sua função. Durante o período gestacional, a glândula sofre um aumento de 10% em seu tamanho, considerando países onde a nutrição de iodo adequada (o iodo é um mineral importante para o bom funcionamento da tireoide).

Já em áreas com deficiência de iodo, o aumento da glândula é de 20% a 40%. Além disso, a produção dos hormônios tiroxina (T4) e triiodotironina (T3) aumentam em cerca de 50%, conjuntamente com um aumento de 50% também nas necessidades diárias de iodo.

“Essas mudanças fisiológicas ocorrem em mulheres saudáveis, porém a disfunção tireoidiana pode ocorrer em muitas grávidas em razão de processos patológicos”, explica o endocrinologista João Roberto Maciel Martins.

Além disso, podem surgir nódulos e câncer, e o acompanhamento adequado tem de ser feito. Portanto, a investigação antes e durante a gravidez e no pós-parto é tão necessária.

O que determina a nova diretriz

  •  Quanto à avaliação da função da tireoide na gestação, fica estabelecido um nível de corte mais conservador para o limite superior do TSH (hormônio estimulante da tireoide produzido na hipófise) usado para diagnóstico de hipotireoidismo na gestação (TSH<4,0 mUI/L) para aqueles serviços que não dispõem de um valor de referência específico para cada trimestre da gestação.
  • Em regiões deficientes em iodo, as mulheres devem ser tratadas, preventivamente, com óleo iodado (150 microgramas/dia) na forma de suplementos junto com outros nutrientes e vitaminas, começando cerca de 3 meses antes da gestação para aquelas mulheres que estão planejando engravidar e continuando com essa mesma suplementação durante toda a gestação e também no período de amamentação.
  • No entanto, mulheres que apresentem hipotireoidismo e já fazem uso de hormônio tireoidiano não precisam fazer essa suplementação, pois o hormônio já contém iodo.
  • Embora a falta de iodo seja um problema, tanto para a mãe quanto para o feto e recém-nascido, o excesso também deve ser evitado. Considera-se excesso de iodo uma ingestão > 500 microgramas/ dia.
  • Fica estabelecido, de forma mais clara, os valores de TSH e a presença de anticorpos antitireoide para os quais seria recomendada a reposição com levotiroxina em pacientes com hipotireoidismo subclínico.
  • A presença de anticorpos antitireoide no sangue da mulher (condição que indica uma doença autoimune, a tireoidite de Hashimoto) parece estar associada com abortamentos, sangramentos, partos prematuros e alterações cognitivas do bebê. Porém, ainda não há evidências claras de que a reposição com hormônio tireoidiano nessas situações possa diminuir o risco dessas complicações.
  • No caso das mulheres com TSH normal, ou seja, sem alteração dos exames de função da tireoide, mas com anticorpos positivos, que tenham história de abortamentos de repetição ou que planejam realizar fertilização in vitro devido à infertilidade feminina, pode-se considerar o uso do hormônio tireoidiano (levotiroxina) em baixas doses (25-50 microgramas/dia) devido ao baixo risco para saúde com essas dosagens frente aos potenciais benefícios de sucesso de uma gestação.
  • Retoma-se a discussão da necessidade de mudança das drogas antitireoidianas usadas para tratamento do hipertireoidismo, após o 2° trimestre da gestação. Vale dizer que o hipertireoidismo não tratado também pode ocasionar complicações obstétricas como no caso do hipotireoidismo, além de causar hipertireoidismo fetal ou neonatal.

Sobre a deficiência de iodo

Estudo recente, realizado na região de Ribeirão Preto (SP), mostrou níveis de iodo na urina compatível com deficiência leve/moderada em 57% das gestantes se comparados com os de mulheres não gestantes.

Ao mesmo tempo, um levantamento feito por pesquisadores de Campinas (SP) mostrou que menos de 40% dos suplementos minerais e de vitaminas normalmente usados na gestação continham pelo menos 150 microgramas de iodo.

“Portanto, se o médico que estiver acompanhando a gestante julgar que a suplementação deve ser feita, deve-se ficar atento para que o produto prescrito realmente tenha a quantidade adequada do nutriente”, informa Martins.

 Fatores de risco

Segundo o médico, diversos fatores podem sinalizar a necessidade de investigar a presença de hipotireoidismo na gestação ou outras doenças tireoidianas, por isso, devem ser levados em conta  pelo endocrinologista e pelo obstetra nas consultas pré-natais ou assim que a gestação for confirmada. São eles:

  • História prévia de hipotireoidismo ou hipertireoidismo ou sinais/sintomas de disfunções tireoidianas.
  • Conhecimento prévio de anticorpos antitireoide no soro da mulher ou aumento da tiroide (bócio) no exame físico.
  • História de irradiação do pescoço ou cirurgia prévia da tiroide
  • Idade > 30 anos.
  • História de diabetes tipo I ou outras doenças autoimunes como vitiligo, artrite reumatoide, lúpus, entre outras.
  • História de abortamentos repetitivos, partos prematuros ou infertilidade.
  • História familiar de doenças autoimunes da tireoide ou alguma disfunção da tireoide.
  • Obesidade grau 3 (índice de massa corporal >= 40kg/m2)
  • Uso de medicamentos que podem comprometer o funcionamento da tireoide como aqueles usados para arritmias cardíacas (amiodarona), lítio e contraste para exame radiológico contendo elevadas concentrações de iodo.
  • Moradoras de regiões geográficas deficientes de iodo na alimentação.

 A importância do tratamento

 O especialista destaca que fazer o diagnóstico e tratar corretamente disfunções tiroidianas durante a gestação tem importância fundamental para a saúde da grávida, do feto e do recém-nascido.

“O hipotireoidismo não tratado está associado tanto ao retardo do desenvolvimento fetal como ao surgimento de complicações obstétricas (abortamento e trabalho de parto prematuro, por exemplo). Além disso, a simples presença de anticorpos antitireoide séricos aumenta as taxas de infertilidade feminina e, nas gestantes, aumenta a chance do desenvolvimento de disfunções tiroidianas durante a gravidez, bem como pode se associar a complicações peri-parto”, conclui Martins.

Se você chegou até o nosso site procurando informações sobre o hipotireoidismo na gestação ou outras disfunções da tireoide, eu espero (de coração) que esses dados possam ter te ajudado a esclarecer o assunto e que você possa se sentir mais tranquila na sua gravidez. Procure ajuda, faça acompanhamento com um endocrinologista (além do seu obstetra) que tudo dará certo!

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Beijos, da Mamãe Prática Fabi

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Foto: Freeimages.com/ MNota

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14 ideias sobre “Hipotireoidismo na gestação: conheça as novas diretrizes”

    1. Obrigada Mi! Pois é, muitas gestantes são pegas de surpresas com esse diagnóstico, mas felizmente a medicina já avançou muito e hoje é possível tratar e ter uma gestação saudável. Beijos, da Mamãe Prática Fabi

    1. Verdade Lele e, infelizmente, o hipotireoidismo está cada vez mais comum. A boa notícia é que tem tratamento. Beijos, da Mamãe Prática Fabi

  1. estou na minha segunda gestação, e agora junto veio o hipotireoidismo que esta me deixando muito aflita. estou fazendo acompanhamento e tratando com o remedio Levoid, hoje com 5 meses o exame veio com 4,70 mg estou preocupada pois minha pressão que sempre foi, 11,6 esta 13,6.
    minha consulta é só sexta feira.. ate la fico aflita e lendo tudo que vejo na internet sobre o assunto :/

    1. Oi Tamara! Entendo a sua preocupação. Também estou grávida (16 semanas) e na sexta-feira também terei consulta com meu endocrinologista. Já verifiquei que o TSH está alterado e, provavelmente, o médico irá alterar a medicação. O que quero dizer para você com a minha experiência é que o hipotireoidismo vem se tornando cada vez mais comum na gestação. Essa é a minha segunda gravidez (tenho hipotireoidismo desde criança) e vejo que o TSH está novamente alterado. O importante é fazer o acompanhamento médico, pois assim a medicação vai sendo ajustada e tudo correrá bem. O mesmo vale para a pressão que precisa ser controlada. Tente não ficar nervosa e muito aflita, pois isso não ajuda… Beijos, da Mamãe Prática Fabi

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