Alimentação infantil

Alimentação: dez dicas para manter boa comunicação com seu filho na hora da refeição

A alimentação infantil lúdica e afetiva tem sido tema constante aqui no blog. Se você já nos acompanha há bastante tempo já teve ter ouvido falar também dos nossos outros dois projetos, o curso online do Criando AMORas (onde a Mari atua como coach de mães e mentora em Conexão Mães e Filhos Por Meio da Alimentação Saudável) e a Loja Mamãe Prática, da Fabi, que tem como tema a Cozinha Divertida).

E para ajudar você, mãe ou pai, que tem dificuldade na alimentação das crianças, também trouxemos aqui um artigo incrível sobre a visão de como a Comunicação Não Violenta (CNV) pode nos ajudar no momento das refeições.

O texto foi escrito pela pedagoga Jacque Leandro especialmente a vocês, nossas leitoras. A Jacque é mãe de dois, educadora emocional e empreendedora digital no Criando com Empatia (e também tem o Grupo Girafamily pelo WhatsApp, que ensina a CNV voltada à educação dos filhos). Com a palavra, a educadora:

Sabemos que a relação entre a comida, para muitas famílias com crianças pequenas, é repleta de pequenos conflitos, que podem se estender a grandes problemas. Mas será que precisa ser assim?

A alimentação é a base do nosso ser, o primeiro vínculo entre o bebê e a mãe e já nos primeiros minutos de vida é importante receber alimento, gerando bem-estar e conexão para ambos. E desde cedo devemos manter esse canal de conexão ligado para as necessidades da criança (não somente às suas).

Uma boa comunicação entre pais e filhos garante que não só o cotidiano seja mais tranquilo, mas a alimentação também.

Na Comunicação Não Violenta (CNV) fala-se muito sobre “se conectar com a real necessidade do outro” e isso se dá desde a amamentação. No momento de introdução alimentar, embora a criança ainda não fale, ela já tem plenas capacidades de demonstrar o que quer e o quanto quer. Cabe a nós, adultos, treinarmos esse olhar e confiar no poder de expressão dos nossos filhos e na sua fisiologia.

Abaixo listo dez dicas baseadas na CNV, empatia e compaixão que podemos colocar nas práticas do nosso dia a dia, transformando a relação alimentar em atitudes leves de se viver:

1. Observação:
Observe seu filho comer. Seja bebê ou maiorzinho, perceba suas expressões em cada colherada, o ritmo de mastigação, se está sendo prazeroso ou apenas automático. Ensine-o a apreciar o sabor.

2. O tempo de cada um:
Jamais limite o tempo para comer ou o apresse. Isso gera tremenda desconexão da criança com o momento de alimentação, que deve ser feita, de preferência, com toda a família à mesa (em ao menos uma das refeições).

3. Sentimento:
Na introdução alimentar, a criança ainda não adquiriu a comunicação verbal, mas através da propriedade sensorial é capaz de guiar sua própria alimentação e a partir dali expressar o que gosta ou não. Devemos aprender a respeitar esse momento. Não gostou, ofereça outra coisa, pode ser que em outro momento ela esteja mais aberta a experimentar. Às crianças maiores, ensiná-las a nomear o que estão sentindo (fome, satisfeito, seguro, aflição, fraqueza ou frustração) ajuda a identificar por que não querem comer naquele momento, seja por não se sentirem seguras se vão gostar daquele alimento ou se seu organismo não manifestou a fome que deveria estar sentindo.

4. Rotina flexível:
Ter rotina fixa é essencial, mas ter a flexibilidade de respeitar esse momento de “não-fome” da criança é essencial (quando ela é saudável não precisa forçá-la a comer).

5. Presença:
É muito importante a participação da criança no preparo do alimento, conhecendo sobre ele para valorizá-lo mais e gerando curiosidade e ansiedade para comer o que ajudou a preparar.

6. Necessidades:
Entre as diversas brigas de pais e filhos na alimentação, boa parte é por querer ou não comer algum dos alimentos. Em vez de olharmos o problema por fora (não quer comer por birra/choro/manha), podemos começar a enxergar por dentro ou o que está por trás da recusa (cheiro, textura, aparência, não estar afim hoje). Faça combinados em conjunto, inclua a criança na escolha dos alimentos “você quer almôndegas? Hoje só temos esse peixe para comer, mas amanhã preparamos para você”.

7. Empatia:
Ter empatia pela criança (se colocar no lugar dela sendo ela, e não sendo você) faz a diferença na hora de dar abertura para um diálogo responsivo e respeitoso.

8. Pedidos:
Muitas vezes fazemos pedidos às crianças sempre de forma negativa, usando muitos nãos: “Você não vai comer isso agora!”. E não há redirecionamento para o que queremos que a ela faça. Use linguagem positiva para seus pedidos e direcionamentos: “Sim filho, vamos comer esse chocolate, mas na hora do lanche da tarde”.

9. Previsibilidade:
Assim como a rotina ajuda a criança saber o que precisa fazer a seguir, antecipar o acontecimento dessa ação é necessário para que ela tenha noção de que a atividade anterior está chegando ao fim e iniciará outra. Por exemplo: “Filho, daqui a cinco minutos é hora de desligar a TV para vir comer” ou “Daqui três minutos o alarme vai tocar e será hora de parar a brincadeira e vir para mesa comer”.

10. Validar as emoções:
Mesmo com todas as estratégias, nossos filhos vão chorar, vão gritar, vão se jogar no chão. Nesse momento, acolher toda a sua explosão emocional é importante para que seu filho se entenda como pertencente de um processo humano. Por exemplo: “Filho, você deve estar frustrado por ter que parar a brincadeira, deveria estar muito legal, mas vamos comer e depois voltamos à brincadeira”.

Claro que não é assim tão simples, mas é importante que não desista de se conectar com seu filho para melhorar suas relações. Com consistência, o cérebro da criança se reorganiza e se acostuma com as condições.

Todos sentimos frustrações, tristeza, raiva e temos necessidades de querer ou não. Entender que sentir é normal, mas lidar com isso é essencial, fazer das nossas vulnerabilidades um convite para aceitar nossa humanidade e que não precisamos ser perfeitos na nossa relação, apenas aceitar o outro.

Quando existe um espaço para você e sua criança se expressarem há confiança para a construção de autonomia e respeito mútuo, não só para a alimentação, mas para a vida.

 

Meninas, o que vocês acharam do artigo e dos conceitos da Comunicação Não Violenta (CNV)? Vocês já conheciam? Se vocês querem aprender mais sobre a CNV, a educadora Jacque Leandro está lançando sua nova turma do Girafamily pelo WhatsApp. É um grupo de treinamento em CNV para pais no WhatsApp. Saiba mais pelo (11) 96890-3667. Eu mesma fiz esse curso e amei! Tudo que aprendi está me ajudando muito com a minha filha Manu.

Beijos da Mamãe Prática Mari.

Foto: freeimages.com

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10 thoughts on “Alimentação: dez dicas para manter boa comunicação com seu filho na hora da refeição”

  1. Não conhecia a maioria das dicas, até pouco tempo, que na verdade estou descobrindo com a Mentoria do Criando Amoras que estou fazendo com a Mari. É muito complicada pra mim a hora da alimentação aqui em casa, mas estou vendo que da para melhorar muito e varias coisas que eu fazia, só acabavam prejudicando ainda mais essa hora tão importante. Mas graças a mentoria e a prática de algumas dessas dicas que já comecei a fazer, tudo está melhorando a cada dia. Agradeço de coração, por compartilhar tanta informação importante com as mamães. Bjus

    1. Oi Jéssica, ficamos muito felizes com a sua mensagem e seu feedback!! Nada como um dia depois do outro né, aos poucos a hora da alimentação vai melhorando na sua casa. Espero que as dicas sejam muito úteis para você. Beijos, da Mamãe Prática Fabi

  2. Adorei as dicas! Por aqui também tento respeitar meu filhote nesse sentido. Tem dias que ele come menos e dias que come mais. E tudo bem!

    1. Verdade Talita, às vezes ficamos ansiosas porque queremos que as crianças comam bastante, mas não é bem assim né… Beijos, da Mamãe Prática Fabi

  3. Muito bacana o post, e até na alimentação precisamos observar e respeitar a individualidade de cada criança e filho (a)…
    Outra dica importante eu acredito, é tirar os estímulos externos que atrapalham um pouco as crianças, em alguns casos, como celular, televisão…
    Adorei o post.
    Bjs
    Ju

    1. Oi Juliana, verdade!! Aqui em casa tiramos os eletrônicos na hora das refeições e está ajudando bastante. Beijos, da Mamãe Prática Fabi

  4. Oi Mari, não conheço CNV e gostei muito. Por aqui respeito o limite da Laura. Tem dia que come de tudo mas tem dia que é complicado. Mas seguimos respeitando.

    Bjus

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