Depressão pós-parto: como prevenir e identificar

Olá meninas! Esse post aborda um assunto delicado que geralmente evitamos falar ou preferimos não pensar muito que é a depressão pós-parto. Dizem que “quando nasce um bebê, nasce uma mãe”, mas será que é assim mesmo? São tantos mitos que envolvem a maternidade e que ouvimos ao longo da vida que, muitas vezes, quando nos tornamos mães é difícil lidar com tanta pressão social.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 10% a 15% das mulheres têm depressão pós-parto. Você conhece alguém que já passou ou está passando por isso? Ou você chegou a este post porque sente que algo não está bem?

Quando tive meu filho, há quase três anos, o impacto da chegada do bebê foi grande porque (apesar de estar super feliz por ter me tornado mãe) as mudanças foram enormes e eu pensava “nossa, minha vida acabou, nunca mais vou fazer algo diferente além de cuidar desse serzinho tão dependente”. Felizmente foi só uma fase e, aos poucos, fui aprendendo a lidar melhor com as mudanças e as responsabilidades que a maternidade traz.

Pensando nisso tudo, conversei com a psicóloga Dery Leão, especialista em Terapia de Família, Casal e Indivíduo, de São Paulo, para entender melhor o tema. Veja que bacana:

O que é a depressão pós-parto?
Dery Leão:
A depressão pós-parto é um transtorno que acomete a mãe logo após o nascimento do bebê. Geralmente ela apresenta sintomas como choro excessivo, muita tristeza, agitação e ansiedade. É comum que a mãe fique distante do bebê com medo de machucá-lo ou, ao contrário, muito próxima com pavor de que algo aconteça, por exemplo, que o bebê seja sufocado ou morra. Ao mesmo tempo em que existe um cuidado excessivo, a mãe está afetada negativamente com a presença do bebê porque sente dificuldade ou medo de não conseguir cuidar dele. Ela acha que não dará conta e começa a sentir falta da própria vida, podendo até ver a criança como um obstáculo.

É importante saber que nos primeiros dias e até o bebê completar um mês, principalmente, é natural que a mãe fique um pouco aflita e angustiada. Mas, passado esse período, se essas sensações, sentimentos e pensamentos se intensificarem (que é o que caracteriza a depressão pós-parto) é preciso procurar ajuda especializada e profissional.

De onde vem a depressão e porque que ela acontece?
Dery:
Primeiro tem uma questão biológica. Durante a gravidez o nosso nível de estrógeno se eleva o que aumenta a serotonina que é responsável pelo bom-humor. Mas nas 48 horas depois do parto o estrógeno diminui bruscamente para o mesmo nível que se tinha antes da gravidez. Então sentimos o impacto da diminuição do nível de serotonina, o que é natural. Mas não é somente isto que determina a depressão pós-parto porque existem outros fatores.

Quais são os outros fatores associados à depressão pós-parto?
Dery:
Também existem fatores psicológicos, aspectos do perfil e da personalidade com uma maior tendência a desenvolver a doença. Por exemplo, se é uma pessoa muito ansiosa, exigente consigo mesma e perfeccionista, essa mãe poderá entender a tarefa de cuidar do bebê como algo pesado pelo nível de exigência que ela já tem na sua característica como pessoa. Mas também tem o fator ambiental que é a questão da pressão social que existe em relação à mulher. A pressão de que a mulher precisa ser uma excelente profissional, dona-de-casa, mãe, esposa… tudo isso pode repercutir no estado depressivo que acomete uma mãe.

Outras situações que podem colaborar para a depressão pós-parto são a gravidez indesejada, a gravidez precoce que faz com que a jovem se sinta prejudicada nos seus planos e projetos de vida, ou até mesmo quando o casal não está vivendo uma boa fase no relacionamento.

A depressão pós-parto ocorre com maior frequência na primeira gravidez?
Dery: Não exatamente. Claro que na primeira gravidez é tudo muito novo. Geralmente a mãe não tem experiência com relação aos cuidados com o bebê e ocorre uma mudança total na vida dessa mulher, do casal e, ou seja, na vida enquanto constituição da própria família. O primeiro filho pode trazer um medo maior, mas uma segunda ou terça gravidez também pode acometer a mulher, principalmente devido ao acúmulo de atividades e responsabilidades.

Existe alguma forma de prevenir o problema?
Dery:
É importante haver um apoio familiar para a chegada do bebê e a mulher que está grávida pode, por exemplo, conversar com outras mulheres que já tiveram filhos. A presença do parceiro é fundamental. Antes do bebê nascer, conversar com o marido sobre como será o futuro deles, como vão dividir as tarefas do dia a dia, como irão se organizar para a chegada do bebê. Esses são pensamentos que acontecem na cabeça da mulher e do homem e quanto mais se falar a respeito, mais clara e consistente essa experiência vai se tornando.

Além disso, ter um bebê significa mudar um estilo de vida e a própria identidade, pois você deixa de ser somente mulher e passa a ter um novo papel que fará parte da sua identidade. Assim, quando o casal está bem e realmente deseja a gravidez e a chegada da criança, existe uma condição melhor para tantas mudanças.

Como a psicoterapia pode ajudar a tratar essa depressão?
Dery:
A psicoterapia é um caminho que alivia bastante, confortador, porque por meio das conversas com a mãe e com o parceiro esclarecemos o que está se passando com essa mulher (e o casal) e damos condições para que ela perceba que pode cuidar do bebê. Também trabalhamos a questão dos mitos, das idealizações. Existe, por exemplo, o mito de que mãe ama incondicionalmente, que se apaixona pelo bebê assim que ele nasce, que tem que dar conta de tudo, que ser mãe é estar no paraíso, mas não é bem assim.  Na verdade, ser mãe é uma delícia, tem um retorno muito gostoso e gratificante, mas também tem o lado trabalhoso, pois exige um “sacrifício” da própria vida em prol do bebê, já que durante um bom tempo o casal abrirá mão de algumas coisas em função da criança que depende exclusivamente deles.

Dessa forma, trabalhamos na psicoterapia esses conceitos e crenças que aprendemos na própria família e na sociedade como o arquétipo da grande mãe que tem que aguentar e segurar tudo, mas não é assim porque a mãe é um ser humano e isso não pode ser deixado de lado.

O que falar para uma mãe que está deprimida?
Dery:
É muito importante dizer que é natural sentir-se assim, ou seja, sentir muitas vezes que a sua vida foi roubada. Esse é um sentimento que vai passar e ela vai dar conta, tem familiares e amigos para apoiá-la. Muitas vezes uma mulher pode achar que procurar ajuda ou conversar com alguém é sinal de fraqueza, mas precisamos mostrar que não é uma falha, mas uma troca e compartilhamento de experiências.

O que não falar nessa hora?
Dery:
É importante não ter uma postura crítica. Nunca criticar aquele estado que nem mesmo a pessoa tem o controle.

Por fim, deixo esse vídeo produzido pelo Jornal Zero Hora (RS) com depoimentos reais de mães que passaram pelo problema e conseguiram superar essa dificuldade:

Queridas, espero que essas informações sejam úteis para vocês e que cheguem às mamães e famílias que estão passando por isso. Tudo ficará bem!

Beijos, da Mamãe Prática Fabi

Foto: Lidi Lopez Fotografia

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