Porque reduzir o sal na alimentação infantil (e não colocar na papinha do bebê)

Todo mundo sabe que é importante evitar o uso exagerado de sal e no caso da alimentação infantil essa recomendação é ainda mais importante. Mas, na prática, será que estamos realmente consumindo pouco sal?

A Organização Mundial da Saúde recomenda como quantidade máxima para a ingestão alimentar diária, 5 g de sal de cozinha (2 g de Sódio). Mas, segundo especialistas, o consumo diário de sal pela população brasileira costuma ser o dobro da quantidade recomendada.

Para entender mais sobre esse assunto, entrevistei a médica Roberta Pascotto, nefrologista pediátrica, que esclareceu vários pontos sobre o tema. Ela foi uma das palestrantes do Doutor Kids: 1º Encontro da Saúde da Criança que aconteceu em junho.

Sal na papinha do bebê
NÃO se deve colocar sal na papinha do bebê, pois a criança precisa aprender a conhecer o sabor natural dos alimentos e o sal pode prejudicar os rins do bebê. Ele pode ser introduzido, aos poucos, na alimentação da criança somente a partir de 1 ano de idade. É importante ter cuidado com a quantidade de sal, pois famílias que têm o hábito de consumir sal em excesso podem induzir as preferências das crianças no preparo de alimentos mais salgados.

Riscos à saúde dos bebês e crianças
O excesso de sal pode estimular a sede e obrigar os rins a fabricarem mais urina para tentar eliminar o excesso de sal ingerido, ou seja, além de sobrecarregar os rins desde cedo, pode predispor, no futuro, o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como hipertensão arterial sistêmica. “O problema é que nessa faixa etária a criança pode ter dificuldade em demonstrar que esteja com sede e acabar desidratando, já que os rins tendem a filtrar mais liquido e sódio. Esse excesso se torna um problema quando a ingestão de sal é frequente e contínua”, destaca Roberta. Outra consequência é a formação de cálculos renais, principalmente em crianças com antecedente familiar de litiase renal (pedras nos rins).

Sal x recusa alimentar
Você sabia que existe uma relação entre sal e a falta de apetite das crianças? Segundo a especialista, o excesso de sódio também pode levar à recusa alimentar ou mesmo seletividade, fazendo com que a criança evite alimentos saudáveis e dê preferência a alimentos ricos em sódio, como lanches, batatas e fast foods, aumentando o risco de obesidade e suas complicações como as doenças cardiovasculares.

O excesso de sal pode ter relação com a história alimentar de cada indivíduo desde o nascimento, dependendo dos hábitos da mãe e da família.

Formação do paladar
O gosto por alimentos salgados é um aprendizado que se adquire. Por isso, a quantidade inicialmente oferecida de sal tende a ser memorizada e induz a criança a aceitar no mínimo as mesmas quantidades em suas próximas refeições.

As estruturas da língua chamadas papilas gustativas são responsáveis pela sensação do gosto salgado. “Elas tendem a se renovar a cada 20 a 30 dias, por isso, se habituarmos a criança a comer muito sal, ela sentirá falta do mesmo se restringirmos o seu uso. Mas, se a restrição persistir por 30 dias, após esse período, a criança já estará habituada a um novo paladar menos exigente em sódio”, explica a médica. Dessa forma, é preciso ter paciência e persistência para criar uma dieta com menos sal.

Sal não é totalmente vilão
Tudo tem um lado positivo e o sal de cozinha também é necessário na nossa dieta. Isso porque ele não é importante apenas para modificar o gosto dos alimentos, tornando-os mais palatáveis. O sal é composto por cloro e sódio que participam de inúmeras reações metabólicas necessárias para o funcionamento do nosso organismo, como a regulação da osmolaridade dos fluídos, condução dos estímulos nervosos e contração muscular. O problema não é consumir sal, mas sim o seu consumo exagerado.

Quantidade recomendada
Veja a tabela com a recomendação do consumo diário de sódio e sal de cozinha. Vale dizer que o sal de cozinha é composto por dois íons, o Cloro e o Sódio, em proporções diferentes. Para cada grama de sal de cozinha, temos 600 mg de Cloro (60%) e 400 mg de Sódio (40%).

Tabela 1 – Recomendações da ingestão diária de sódio

    Idade Sexo Recomendação Sódio Sal de cozinha
1 a 3 anos Ambos < 1.500 mg < 3.750 mg*
4 a 8 anos Ambos < 1.900 mg < 4.750 mg
9 a 13 anos Ambos < 2.200 mg < 5.500 mg
14 a 18 anos Ambos < 2.300 mg < 5.750 mg

Dietary Guideline Advisory Committee, 2005.

*Fiz o cálculo e 3.750mg ou 3,75 g de sal de cozinha equivale, mais ou menos, a 1 colher de chá rasa.

Como reduzir o consumo de sal na sua casa

  • Não acrescente sal ao alimento já preparado, pois as chances de você acrescentar sal em excesso são muito grandes.
  • Retire o saleiro da mesa na hora das refeições.
  • Evite utilizar temperos prontos e modificadores de sabor como catchup, maionese mostarda e shoyo.
  • Utilize outros temperos para deixar a comida mais saborosa, como alho, cebola, tomate, salsa e salsinha, cebolinha, hortelã, alecrim, orégano, manjericão, coentro, noz-moscada, cominho, manjerona, gergelim, páprica, endro, louro, entre outros.
  • Evite o uso de bacon e embutidos como linguiça, paio e salsicha no preparo das refeições.
  • Evite o consumo de fast foods e comidas industrializadas ricas em sódio, como embutidos, alimentos enlatados e salgadinhos.
  • Leia os rótulos dos alimentos e verifique qual a quantidade de sódio existente. Lembre-se que os valores descritos no rótulo se referem a uma porção daquele alimento e não a quantidade total da embalagem.

Espero que essas informações sobre alimentação infantil e o uso de sal sejam úteis para você e a sua família.

Beijos, da Mamãe Prática Fabi

Foto: Estúdio Roni Sanches

Fontes: Dra Roberta Pascotto, nefrologista pediátrica; Pediatra Orienta; Guia Alimentar do Ministério da Saúde

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