Sono do bebê

Sono do bebê: falta de rotina interfere na qualidade

O sono do bebê sempre foi um dos assuntos mais procurados no nosso blog, principalmente por pais e mães aflitos porque seus filhos continuam acordando muito de madrugada, mesmo após seis meses ou um ano de vida.

Se você está passando por esta experiência, saiba que te entendo. Por mais que a gente saiba que o bebê vai acordar várias vezes durante a noite, quando isso se repete por muitos e muitos meses, o cansaço e a irritabilidade podem tomar conta da gente.

No meu caso, posso dizer que tive sorte porque meus dois filhos logo começaram a dormir bem a noite toda (Serginho a partir dos 4/ 5 meses e Cecilia dos 3 meses). Mesmo assim, quando eles ficam doentinhos e preciso passar uma noite toda acordada me sinto exausta!

Recentemente contribuí para a produção da Revista Sono, da Associação Brasileira do Sono (ABS), que reúne profissionais brasileiros dedicados especialmente ao estudo do sono, e achei muito interessante a matéria sobre a qualidade do sono do bebê publicada na 16ª edição da revista.

As especialistas explicam porque somente a partir dos 9 meses, geralmente, o bebê começa a dormir mais durante a noite e alertam para fatores que influenciam na qualidade do sono dos pequenos, como a falta de rotina e a desorganização do ambiente.

Dessa forma, reproduzo abaixo o texto da revista na íntegra. Espero que esse conteúdo te ajude a entender melhor o sono do seu bebê. Boa leitura!

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Rotina e organização familiar contribuem para a qualidade do sono do bebê

É comum observar muita ansiedade por parte dos pais em relação às horas de sono noturnas dos seus filhos. É preciso entender que o ritmo esperado de vigília e sono – noturno mais longo, com sonecas durante o dia – se estabelece paulatinamente desde o 1º dia de vida, atingindo uma organização mais demarcada por volta dos nove meses, quando o bebê apresenta uma condição fisiológica mais madura.

“Significa que, a partir do terceiro trimestre, o bebê começa a ter uma sincronização de acordo com o claro e o escuro, pois ao longo do período anterior seu corpo vai se moldando na recepção da luz, além dos momentos de mamada e quando a mãe o coloca para dormir. Esses fatores dão início à modulação da ritmicidade circadiana”, explica a Dra. Sílvia Conway, psicóloga do sono e representante do Comitê Interdisciplinar de Psicologia do Sono da Associação Brasileira do Sono (ABS).

Para a Dra. Renatha El Rafihi-Ferreira, psicóloga clínica e psicóloga do sono (SBP/ABS), “as rotinas devem ser estabelecidas não somente durante à noite, mas também durante o dia. Uma criança que tem rotina durante o dia também terá mais facilidade para a rotina noturna”. Para a especialista, que também faz parte do Comitê Interdisciplinar de Psicologia do Sono da ABS, quanto antes se iniciam as rotinas e higiene do sono, mais rápido a criança adquire habilidades para se aconchegar sozinha.

“Não basta estabelecer uma rotina com atividades calmas antes de dormir, a forma como os pais apresentam essa rotina, com bom humor e tranquilidade, também influirá na criança”, afirma a Dra Renatha.

Além da rotina pré-sono (hora do banho, leituras, música de ninar e aconchego dos pais), fatores cotidianos contribuem para a qualidade do sono: evitar a exposição a eletrônicos, alimentação adequada, atividade física, incentivar a independência da criança para adormecer sozinha, além do equilíbrio entre a atenção dada ao bebê nos períodos diurno e noturno.

Ambiente familiar

Segundo a Dra. Maria Laura Nogueira Pires, professora, psicóloga do Sono e integrante do Comitê Interdisciplinar de Psicologia do Sono da ABS, o comprometimento da qualidade e da quantidade do sono infantil também pode estar associado à desorganização do ambiente e à ausência de rotinas.

Pesquisas envolvendo crianças pré-escolares utilizando o instrumento Escala de Confusão, Tumulto e Ordem, para avaliar características referentes à organização ambiental, mostram claramente a sua influência no sono infantil.

“Quanto mais pronunciado o estilo caótico (agitação, tumulto, movimentação intensa, barulho, correria, atmosfera pouco relaxante e ausência de rotina), menor o tempo de sono obtido pela criança à noite, mais tarde é o seu horário de dormir e os problemas de sono são mais frequentes”, relata a Dra. Maria Laura.

Segundo a professora, essa associação é intermediada por práticas de higiene do sono que envolvem rotina e um ambiente tranquilo. “A desorganização da família pode criar uma variedade de fatores que inibem boas práticas de higiene do sono, dificultando a obtenção de qualidade e quantidade ótimas”, destaca.

Fatores individuais

É importante lembrar que existem variações individuais. Alguns bebês podem apresentar um sono noturno maior com cochilos diurnos mais curtos, enquanto outros terão sono noturno mais curto com sono diurno maior. “O importante é o bebê dormir o suficiente”, lembra a Dra. Renatha.

A Dra. Sílvia ressalta que esse sono pode ser ajustado com a rotina estabelecida e o amadurecimento fisiológico que naturalmente acontece na criança, podendo contribuir para que o sono noturno paulatinamente passe a ser mais longo do que o diurno.

Quando o bebê possui grande irritabilidade, vale observar se essa criança apresenta algum problema específico. “Um bebê que ronca, faz barulho enquanto está dormindo, tosse demais, vomita muito, tudo isso pode estar deflagrando um problema de sono de ordem mais orgânica e funcional. Às vezes é um bebê que está com amígdala ou adenoide grandes e precisa de algum tipo de intervenção até médica”, lembra a Dra Sílvia Conway.

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Se você está passando por dificuldade na rotina de sono do seu bebê, espero, realmente, que essas informações possam te ajudar de alguma forma. Depois conta pra mim aqui nos comentários!

Dica: Você pode acessar todas as edições da Revista Sono nesse link: http://www.absono.com.br/revista-sono.html

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Beijos, da Mamãe Prática Fabi

Fonte: Associação Brasileira do Sono

Foto:
Sueli Zischler Photography

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