Comer, andar e falar: os três primeiros anos

Há poucos dias a médica Ana Maria Escobar (para quem não se lembra é aquela pediatra fofa consultora do programa Bem-Estar, da TV Globo) participou de um encontro da Revista Crescer sobre “Comer, Andar e Falar. As conquistas do seu filho nos três primeiros anos”.

A Dra. Ana Escobar, que é professora livre-docente do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da USP, falou tanta coisa bacana e esclarecedora que resolvemos listar aqui as principais informações da pediatra sobre os três primeiros anos do desenvolvimento da criança.

Espero que seja bastante útil para você!

COMER

  • Desde os primeiros meses de vida, a alimentação é a base de tudo porque é aquilo que vai dar toda a sustentação para o que você vai ser (ou não vai ser).
  • As doenças que o adulto terá podem depender da alimentação que ele teve nos primeiros anos de vida e até mesmo da alimentação que a mãe dele teve durante a gestação.
  • A alimentação é a base estrutural que permite todo o crescimento e o desenvolvimento nos três primeiros anos de vida.
  • O leite materno promove a inteligência e o raciocínio, fortalece o vínculo entre mãe e bebê, evita infecções porque é rico em anticorpos. Além disso, o leite materno é bioquimicamente melhor, contém ferro, cálcio e proteínas nas quantidades adequadas.
  • A amamentação exclusiva até os seis meses de vida é muito benéfica. O leite materno contém substâncias como DHA e ARA que são gorduras relacionadas ao melhor desenvolvimento cognitivo da criança.
  • O leite de vaca tem uma quantidade excessiva de proteínas que sobrecarregam o rim do bebê. Já o leite materno tem uma quantidade menor de proteínas, mas é exatamente o que o bebê precisa e com mais qualidade.
  • O intestino do bebê e a capacidade de digestão são imaturos, por isso, a introdução dos alimentos deve ser lenta e gradual. Após os seis meses, devem ser inseridos, aos poucos, frutas, papinhas salgadas, proteínas como carne e frango e, por último, a gema de ovo.
  • Com nove meses se considera que a capacidade de digestão do bebê está excelente e ele já pode fazer todas as refeições e começar a comer a clara de ovo.
  • Pensando em uma criança de sete meses, ela tomará leite ao acordar, no lanche da tarde e na hora do dormir. Assim, até por volta de um ano ou um ano e meio, o bebê tomará leite, no mínimo, três vezes por dia. Depois disso, pode diminuir para dois leites, um de manhã e outro a noite.
  • As crianças maiores deveriam tomar leite duas vezes ao dia, até a adolescência, por conta do cálcio e do crescimento.
  • Não é recomendado dar leite para a criança depois do almoço e do jantar porque o cálcio do leite atrapalha a absorção de ferro. O ideal é esperar que a digestão seja feita, até duas horas depois da refeição.
  • Se a criança não gosta de leite é importante tentar introduzir outros alimentos derivados do leite, como queijos e iogurtes, para suprir a necessidade de cálcio no organismo.
  • Todas as crianças deveriam tomar sol diariamente, cerca de 10 a 15 minutos, para estimular a produção de vitamina D no organismo. Nesse caso, considerar o sol até às 10 horas e sem protetor solar.
  • Se a criança não gosta de tomar água é importante verificar quais líquidos ela está recebendo em excesso (sucos, leite). Pode-se tirar um pouquinho desses líquidos para a criança sentir cede e tentar substituir pela água.
  • Esconder um alimento no meio de outros não é a melhor tática para fazer a criança comer porque ela tem que aprender que está comendo, o que está comendo e porque está comendo.
  • Quando a criança participa do processo de alimentação, por exemplo, escolhendo um alimento ou preparando a comida com os pais, ela começa a entender a importância de comer.
  • Se a criança está crescendo e ganhando peso adequadamente, se tem energia e não fica doente, não há problema em comer pouco.
  • A expectativa que os pais têm sobre o quanto a criança deveria comer não é, necessariamente, aquilo que a criança precisa realmente comer.

ANDAR

  • Por volta de um ano o bebê começa a andar, por isso, é importante ter cuidado com a casa porque o bebê não tem consciência do perigo, somente o instinto de conquistar o espaço.
  • Entre um e dois anos, 80% dos acidentes com os bebês acontecem na cozinha.
  • Algumas crianças aprendem a andar sem engatinhar.
  • Os andadores são os grandes causadores de acidentes domésticos.
  • O andador atrasa o aprendizado para andar porque a criança bate a ponta dos pés no chão e, com isso, a tendência é encurtar os tendões, dificultando o movimento para andar.
  • É importante saber que tem crianças que sentam um pouquinho antes e outras depois, mas a média é por volta de sete meses.
  • Qual o melhor sapato? Nenhum. Andar descalço é a melhor coisa para o desenvolvimento do andar.

FALAR

  • A primeira demonstração de fala do ser humano é o choro. E a criança aprende a ter um choro para cada tipo de situação como fome e dor.
  • Falar exige conhecimento adquiro e, neste processo, a alimentação e o estímulo são fundamentais.
  • É importante estimular a criança a falar conversando com ela, pedindo para ela explicar aquilo que está apontando com o dedo. Também se pode mostrar um brinquedo e pedir para ela dizer o que é.
  • A criança que convive com duas línguas, naturalmente, tem que entender a estrutura dessas duas línguas. Ela pode demorar um pouco para começar a falar, mas a compreensão é a mesma. Ela terá a uma vantagem, já que as conexões cerebrais se acostumarão com as duas línguas ao mesmo tempo.
  • Quando a criança falar algo errado, é importante corrigi-la, mas com jeito e não exaustivamente.
  • É melhor para a criança ouvir e se acostumar com o tom natural da voz dos pais e dos cuidadores, isto é mais aconchegante para a criança.
  • Geralmente, a criança estará falando bem por volta dos quatro anos de idade.

 

Dra. Ana Maria Escobar no evento da Rev. Crescer (Foto: Sylvia Gosztonyi / Editora Globo)
Dra. Ana Maria Escobar no evento da Rev. Crescer (Foto: Sylvia Gosztonyi / Editora Globo)

 

Queridas leitoras, gostaram das dicas e informações da Dra. Ana? Espero que possam ter ajudado vocês a entenderem melhor sobre o desenvolvimento dos seus filhotes.

Beijos, da Mamãe Prática Fabi

Foto abertura: Mamãe Prática

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2 comentários em “Comer, andar e falar: os três primeiros anos”

  1. Boa tarde!!!
    Meu filho tem 1 ano e 6 meses e não fala nada. Não sei o que fazer. Conto historinhas para ele, Mas ele não está nem ai
    O que posso fazer??? Por favor me ajudem.

    1. Oi Cátia! Seu filho ainda é novinho e alguns bebês demoram um pouco mais para falar, é normal. Meu filho só começou a falar mesmo com mais de 2 anos e ainda hoje com 3 anos e 4 meses fala um pouco enrolado. Claro que precisa observar e, se for o caso, levá-lo para a avaliação de um profissional, mas é bem provável que só precise esperar o tempo dele.

      Veja abaixo alguns posts sobre o tema, espero que te ajude! Beijos, da Mamãe Prática Fabi

      Por que meu filho ainda não fala
      https://mamaepratica.com.br/2015/06/03/porque-meu-filho-ainda-nao-fala/

      Angústia de mãe: meu filho ainda não fala
      https://mamaepratica.com.br/2014/05/02/mamae-fono-angustia-de-mae/

      Quando o bebê começa a falar: os 9 erros mais comuns dos pais
      https://mamaepratica.com.br/2015/12/14/quando-o-bebe-comeca-a-falar-9-erros-mais-comuns-dos-pais/

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