Bebê dormindo

Síndrome do bebê chiador: saiba quando levar o bebê à emergência

Olá meninas, atendendo a solicitação de nossas leitoras, a pediatra Jaqueline Toscano, especializada em Alergia e Imunologia e autora do perfil @alergiacomdrajaque, no Instagram, preparou pra gente um texto sobre bebê chiador. Com a palavra, a nossa colunista, a Dra. Jaque:

Hoje vamos conversar um pouquinho sobre bebê chiador. A síndrome do bebê chiador ou síndrome do lactente sibilante (termo relacionado à produção de um som agudo e prolongado, lembrando um assobio ou chiado) preocupa muitos pais e é responsável por um grande número de atendimentos nas emergências pediátricas. Primeiramente, vamos diferenciar sibilos (som agudo e prolongado) de roncos. Muitas mães acham que o bebê está chiando quando na realidade ele está roncando. Vamos acabar de vez com esta dúvida?
No ronco, o som produzido e aquela sensação de “trepidação” nas costas são resultados da mobilização de secreção durante a respiração. A secreção pode estar localizada nos pulmões e/ou no nariz. Sim, o nariz entupido pode ser sentido quando colocamos a mão nas costas do bebê.

Já o sibilo é decorrente do estreitamento dos brônquios, dificultando a passagem de ar nos pulmões e causando o “chiado”, que é semelhante ao miado de um gato. Este é auscultado com ajuda do estetoscópio. Porém, em crises mais graves, os próprios pais relatam que conseguem escutar este som. Os sibilos podem levar à dispneia e/ou taquipnéia (falta de ar/dificuldade para respirar e respiração rápida, respectivamente).

Admite-se que pelo menos 20% das crianças menores de 2 anos apresentam essa sibilância transitória, principalmente em decorrência de infecções virais, sendo que a principal causa é o Vírus Sincicial Respiratório (VSR).

A síndorme do bebê chiador pode ter mais chances de desenvolver asma ou rinite se o chiado for decorrente de asma no lactente. Não necessariamente o chiado é decorrente de um vírus, pode ser decorrente de uma asma que ainda não foi diagnosticada. Suspeita-se de asma em lactentes e crianças pequenas quando há história familiar (pais), eosinófilos altos (células sanguíneas que podem indicar alergia ou verminose), alergia de pele e crises de sibilos não acompanhados de febre.

Fatores de risco associados à asma e à sibilância:
– Sexo masculino
– Susceptibilidade imunológica
– Antecedentes familiares de alergia
– Infecções de vias aéreas
– Alimentação inadequada no primeiro ano de vida (dessa forma, o aleitamento materno exclusivo até os seis meses é considerado fator protetor)
– Tabagismo passivo e poluição do ar
– Exposição a alérgenos de animais e fungos (algumas crianças desenvolvem tolerância a estes alérgenos enquanto outras acabam por desenvolver sensibilização a estes agentes).
– Número de irmãos e frequência na creche (ou seja, maior contato com outras crianças)

Quando os pais devem se preocupar e levar à emergência?
• Quando a barriga do bebê descer e subir tão forte que possibilita a visualização da última costela;
• Quando a respiração do bebê for tão forte que as costelas serão facilmente delimitadas;
• Quando ocorrer a formação de um “buraquinho” no início do pescoço, entre as clavículas, causado pelo esforço respiratório;
• Quando houver batimento de asas do nariz;
• Quando a respiração do bebê for rápida, ofegante (obs.: isto também pode ocorrer durante uma febre e não ser em decorrência do quadro respiratório)
• Quando o bebê ficar roxinho/azulado (cianose)
• Quando o bebê ficar muito tempo sem respirar

Atenção: apenas um destes itens já justifica a ida à emergência.
Como tratar

O tratamento é feito com medicação (nebulização com beta 2 de curta duração, como fenoterol ou salbutamol) que irá “abrir” os brônquios, facilitando a passagem de ar e melhorando o esforço respiratório. Dependendo da gravidade, o médico poderá utilizar corticoide oral e, às vezes, há necessidade de internação da criança por ficar dependente de oxigênio. Outras medicações, como antibióticos, por exemplo, dependem do fator causador da sibilância.

Os pais devem ficar alertas, pois se a falta de ar persistir mesmo com todas as medicações prescritas ou houver episódio de cianose, a criança deve ser levada imediatamente à emergência mais próxima.

Dra. Jaqueline Toscano
Dra. Jaqueline Toscano

A pediatra Jaqueline Toscano, autora do perfil @alergiacomdrajaque no Instagram, conta que sempre foi apaixonada por crianças e com 12 anos já decidiu o que eu queria ser quando crescer: pediatra! Também especializada em Alergia e Imunologia, ela diz que é muito gratificante ajudar as crianças com imunodeficiência e acredita que os pais têm papel fundamental na melhoria da vida de seus filhos alérgicos. Por isso, aqui no blog, ela vai ajudar nós, mães e pais, a cuidarmos melhor de nossos filhos, sejam eles alérgicos ou não.

Meninas, esperamos que este texto ajude vocês que têm dúvidas sobre o assunto (que é bastante complexo).

Beijos, da Mamãe Prática Mari

Foto: Estúdio V (foto meramente ilustrativa)

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