Criança chorando: medo de barulho

Medo de barulho: como ajudar as crianças

Olá meninas, conheço alguns casos de crianças pequenas (até 5 anos) que realmente ficam muito assustadas e com medo de barulho, principalmente de bexigas que estouram, de fogos de artifício e do barulho de trovões. Felizmente, esse não é o caso da minha filha Manuela (3 anos).

Mas a gente fica com o coração apertado ao ver uma criança tão pequena sentindo tanto medo de barulho! Então, depois que também recebi uma mensagem de leitora muito preocupada com o filho, que chega a passar mal por causa desses tipos de barulhos, acionei nossa querida colunista, a psicóloga infantil Ana Flávia Fernandes, pra contar pra gente o que podemos fazer nesses momentos tão delicados. Com a palavra, a Ana Flávia:

Criança com medo de barulho

O medo é um a reação natural que ativa os sinais de alerta do nosso corpo em situações que acreditamos serem perigosas para nós. Em excesso faz com que a gente se feche numa espécie de prisão emocional e a falta de medo pode nos expor ao risco de vida. Por isso, nosso desafio é ajudar os pequenos a identificar seus medos, aprender a lidar com eles e assim manter esse equilíbrio tão necessário para o desenvolvimento afetivo das crianças.

Sentir medo de barulho costuma aparecer por volta dos 2/3 anos, na fase em que as emoções começam a se transformar em imagens como balão, fogos de artificio e trovão. Isso acontece porque o sistema emocional das crianças ainda não dá conta de compreender muito bem algumas informações recebidas. Então, essas imagens ficam armazenadas na sua cabeça, aparecendo de vez em quando para assustar. O medo se instala e a criança tem dificuldade em seguir tranquilamente a sua rotina.

Esse medo pode ir até os 6 ou 7 anos, quando as crianças passam a ter uma percepção menos inocente dos acontecimentos, uma maior capacidade de compreensão dos fatos e a imaginação mais fraca. Antes disso, sua cabeça ainda está desenvolvendo o pensamento lógico e abstrato, então, ao dizer “Precisamos voar porque estamos atrasados”, é comum que as crianças imaginem pessoas voando.

Cada criança vai reagir ao medo de uma maneira e os sintomas mais comuns são coração acelerado, suor nas mãos e dificuldade para dormir. As reações comportamentais podem prejudicar a rotina da criança e da família e sem os cuidados necessários podem se agravar e se transformar em psicopatologias, como, por exemplo, a fobia social.

Para nós, fica claro que essas figuras não colocarão nossa vida em risco, mas para as crianças, que ainda estão desenvolvendo esta noção de fantasia e realidade, não está tão claro assim. Nosso papel fundamental é auxiliá-las nessa compreensão dos medos que ajudam e dos medos que não ajudam.

Quando o medo já se instalou, podemos ajudar cuidando da nossa reação, do respeito e empatia com o que a criança está sentindo. Ao rir e dizer que não é verdade, estamos desvalorizando a percepção das crianças, o que pode dificultar ainda mais a sua compreensão daquele medo.

Com as crianças menores pode ser mais difícil reconhecer o que assusta. Nesses casos, vale tentar eliminar possibilidades como, por exemplo, questionar se ficar abraçado com a mãe quando um balão estourar ajuda a sentir menos medo. Demonstrando segurança, podemos entrar na fantasia das crianças e desenhar, criar uma história sobre balões heróis. Podemos amenizar o medo utilizando a imaginação e acrescentando o humor ou um final em que fique evidente o lado chato da história e o lado legal e corajoso. Isso tira o balão da realidade e o coloca no mundo das histórias, o que pode gerar uma simpatia da criança com essa figura que tem medo. O Explode Balão é um jogo que gosto muito e que também pode ajudar os pequenos a dar um novo significado para o medo de barulhos.

“Demonstrando segurança, podemos entrar na fantasia das crianças e desenhar, criar uma história sobre balões heróis”

A experiência do brincar com algo assustador faz com que o grande medo vá embora, deixe espaço para os medos que ajudam e o coração se tranquiliza, pronto para enfrentar os próximos desafios da vida.

psicóloga infantil Ana Flavia FernandesPsicóloga Infantil com especialização em Psicodrama, Ana Flávia Fernandes atende as crianças e suas famílias há muitos anos. “Para cuidar bem dos pequenos, também é preciso cuidar dos adultos a sua volta”, explica. Muito querida e atenciosa, ela também nos brinda com a sua sabedoria e experiência clínica no blog Terapia de Criança.

Meninas, se vocês gostaram deste artigo, então vocês não podem deixar de ver outros textos da Ana Flávia, como o artigo “A primeira vez na escola: como ajudar seu filho”, ou ainda entrevistas que fizemos com ela, como o post (super lido por aqui!) “Como educar sem precisar bater ou colocar de castigo”.

Foto: freeimages.com/Milan Jurek

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11 comentários em “Medo de barulho: como ajudar as crianças”

  1. Ao ler estas informações sobre o medo de barulho, estou sensibilizada, meu filho de 4 anos está com esta fobia, quando levei ele no dia das criancas num ginásio, ele começou a passar mal, e me implorava para ir embora. Hoje fui comprar um salgado numa quermesse com ele, o músico estava testando o som, e novamente ele passou mal, e tive q ir pra fora do espaço fechado para ele melhorar. Na verdade este é um desabafo de mãe que quer o melhor para seu filho.

    1. oi Andréia, espero que nosso post possa te ajudar e que seu filho consiga superar esse medo. Realmente deve ser muito angustiante para ele. Torcendo para dar tudo certo! Beijos, da Mamãe Prática Fabi

  2. Bom dia. Meu filho tem 1 ano e 9 meses rede um tempo pra cá ele tem um medo incrível em festas principalmente dos canto dos parabéns onde apaga-se as luzes e canta todo mundo ele chora muito. Em casa e muito sapeca, canta, brinca, corre, uma inteligência sem igual, faz tudo como uma pessoa normal. Na rua também e uma criança normal. No shopping nao, mas nesses lugares onde tem muita gente ele quer sair dizendo que esta com medo e estou aprienssivo com isso rudo. Ele tem um irmãozinho de 3 meses e é um ciúme de mim com o irmão. Estou com medo dele estar com autismo ou algo do tipo. Me ajudem por favor..

    1. oi Eduardo, imagino a sua angústia e preocupação. É preciso ter muita paciência, não brigar e tentar mostrar para ele que está em um ambiente seguro e que nada de mal vai acontecer. Pode ser que a chegada do irmãozinho também esteja deixando-o mais inseguro. O medo é algo comum nas crianças pequenas e não devemos menosprezar, fazer piada ou brigar, pois ele pode estar sentindo uma ameaça ou medo (mesmo que para nós adultos não faça sentido). Procure conversar e estar bastante presente e, se achar que é o caso, vale consultar uma psicóloga ou terapeuta para fazer uma avaliação. Espero ter ajudado! Abraços, da Mamãe Prática Fabi

  3. Olá meu filho tem 4 anos e tem pavor de foguete, não consegue fazer nada. Quando escuta o barulho do foguete, mesmo que de longe, começa a suar frio, tremer e chorar muito. Já expliquei que não faz nada, que está longe… Mas não adianta.

  4. Olá meu filho tem 4 anos e tem pavor de foguete, não consegue fazer nada. Quando escuta o barulho do foguete, mesmo que de longe, começa a suar frio, tremer e chorar muito. Já expliquei que não faz nada, que está longe… Mas não adianta. O que posso fazer?

    1. Oi Amanda, tudo bem? Imagino a sua preocupação, pois é muito difícil ver nossos filhos com tanto medo assim. As dicas da psicóloga infantil Ana Flávia Fernandes são ótimas. Como ela mesma colocou “Quando o medo já se instalou, podemos ajudar cuidando da nossa reação, do respeito e empatia com o que a criança está sentindo. Ao rir e dizer que não é verdade, estamos desvalorizando a percepção das crianças, o que pode dificultar ainda mais a sua compreensão daquele medo”
      Outra ideia é seguir a linha de brincar com algo relacionando, tentando abordar o tema de forma lúdica: “A experiência do brincar com algo assustador faz com que o grande medo vá embora, deixe espaço para os medos que ajudam e o coração se tranquiliza, pronto para enfrentar os próximos desafios da vida”

      Espero que essas dicas possam ajudar. Beijos, da Mamãe Prática Fabi

  5. Olá meu filho tem 5 anos e muito pavor de foguete e balões quando estouram. Ele fica em pânico, chora muito e coloca as mãos no ouvido. Geralmente tenho que sair do ambiente no caso dos balões ou confortá–lo até parar os foguetes.Procuro passar tranquilidade a ele e estamos buscando ajuda médica . As dicas me auxiliaram a compreender melhor seus medos.

    1. Oi Cristiane. Obrigada pelo seu depoimento! Ficamos felizes em saber que o post ajudou. Boa sorte com o seu pequeno, esperamos que ele supere esses medos em breve. Beijos, da Mamãe Prática Fabi

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